A sombra do poder que a Direita ainda não conhece

A sombra do poder que a Direita ainda não conhece

A ascensão política da Direita no Brasil e no mundo é um fato recente. Apesar de sermos a maioria da população, não estamos espalhados nos espaços de poder existentes pelo fato de não conhecermos, verdadeiramente, como o poder funciona e nem sabermos fazer uso dele no momento em que ocupamos tais espaços. O resultado disso só pode ser frustrante, quando não catastrófico.


A guerra cultural é, sem dúvidas, a mais importante de todas. Acontece que ela é uma guerra de longo prazo e o que fazemos no curto prazo nos permitirá continuar ou não nessa que é a maior de todas as guerras da história. De que adianta atuar na guerra cultural se o inimigo pode nos aniquilar antes das próximas eleições?


Entender como os sociopatas que estão no poder movimentam pessoas, estruturas, recursos e o Estado para perseguirem seus opositores e aprender a se proteger e se defender deles é um tipo de conhecimento e habilidade que raríssimas pessoas dentro do universo conservador conhecem de fato. Tal saber vale ouro e poderá evitar assassinato de reputação, perseguições e até, prisões.


Se estamos em uma guerra é preciso conhecer o inimigo e entender como ele se movimenta. Sun Tzu no clássico A Arte da Guerra nos advertiu “conheça o inimigo e conheça a si mesmo; assim, em uma centena de batalhas, você nunca correrá perigo. Quando se desconhece o inimigo, mas se conhece a si mesmo são iguais as suas oportunidades de ganhar ou perder. Mas desconhecer-se a ambos, certamente se estará em perigo em todas as batalhas.” 


E a pergunta que se faz dentro desse contexto é, mas como se conhece o inimigo? A resposta é simples e pode chocar os bons samaritanos: andando com ele, andando com pessoas que um dia já andaram com ele, andando com pessoas conhecem pessoalmente ele, procurando entender como ele vive e o que ele faz para viver. É o que Lao-Tsé nos ensinou, “mantenha os amigos sempre perto de você e os inimigos mais perto ainda.”


A Direita precisa sair da bolha da qual se encontra para compreender melhor como o jogo funciona e conseguir ajudar, de fato, nas transformações de curto prazo que precisamos empreender para gerar mudanças duradouras e de longo prazo que a nação precisa. Entender os pontos fortes e pontos fracos do inimigo é condição sine qua non para permanecermos no tabuleiro aguardando a nossa vez para realizar a próxima jogada.