Vorcaro alega que mensagem com ameaça a jornalista foi interpretada fora do contexto

Fundador do Banco Master nega intenção de violência e diz que texto era desabafo privado após prisão em operação da PF
Por: Brado Jornal 04.mar.2026 às 20h46
Vorcaro alega que mensagem com ameaça a jornalista foi interpretada fora do contexto
Foto: Ana Paula Paiva/Valor
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, declarou aos investigadores da Polícia Federal que jamais planejou ou desejou intimidar ou agredir jornalistas. A afirmação veio logo após sua prisão preventiva, ocorrida na manhã desta quarta (4), na terceira etapa da operação Compliance Zero.

A defesa do empresário divulgou nota esclarecendo que, durante o momento da detenção, Vorcaro explicou que as mensagens citadas pela PF foram retiradas de contexto. Ele descreveu o conteúdo como um “desabafo” feito em ambiente privado, sem qualquer propósito real de ameaça ou violência. “Sempre respeitei o trabalho da imprensa e mantive relações institucionais com veículos e profissionais ao longo da minha carreira”, reforçou a assessoria.

As mensagens em questão, extraídas do celular de Vorcaro, foram usadas pela PF para embasar a prisão e outras medidas cautelares autorizadas pelo ministro do STF André Mendonça. Nelas, o banqueiro menciona o colunista Lauro Jardim, de O Globo, com expressões como “dar um pau nele” e “quebrar todos os dentes” em um suposto assalto forjado, em diálogo com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, integrante de um grupo chamado “A Turma”, acusado de monitorar e intimidar adversários.

A investigação aponta que esse núcleo atuava para obter informações sigilosas, acessar sistemas protegidos (inclusive de PF, MPF e Interpol) e executar ações de intimidação. Vorcaro nega veementemente qualquer determinação de agressão física, afirmando que não se recorda de conversas telefônicas específicas e que, se houve exaltação em mensagens antigas, ocorreu apenas como desabafo isolado, sem intenção de execução.

A operação Compliance Zero investiga crimes como emissão e negociação de títulos falsos, lavagem de dinheiro, obstrução de justiça e outros delitos financeiros ligados ao Banco Master e empresas associadas. Além de Vorcaro, foram presos preventivamente outros suspeitos, como Fabiano Zettel e Marilson Roseno da Silva, com buscas em diversos endereços e sequestro de bens avaliados em bilhões de reais.


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