Produtores de cacau do sul da Bahia realizaram bloqueios em rodovias importantes para cobrar valorização do produto e contestar os preços baixos pagos pela indústria, agravados pela concorrência de importações em grande escala vindas principalmente da África Ocidental, região que responde por mais de 60% da produção mundial do fruto.
A principal ação ocorreu na BR-101, no km 405, distrito de Itamarati (Ibirapitanga), onde os manifestantes interditaram os dois sentidos da via por cerca de 30 horas, iniciada no fim de semana e encerrada na tarde de 26 de janeiro de 2026. Houve também interdição na BA-120, entre Gandu e Algodões, no sentido Piraí do Norte. Imagens divulgadas nas redes mostram pneus queimados na pista e faixas com reivindicações por justiça no preço do cacau regional.
Os agricultores alegam que o aumento nos custos de produção, incluindo máquinas, fertilizantes, energia elétrica, defensivos agrícolas, financiamentos e impostos, não é acompanhado por remuneração adequada, levando muitos ao risco de falência e impossibilitando a sustentação das famílias no campo. Eles criticam a preferência da indústria por cacau importado de baixo custo, muitas vezes associado a denúncias de trabalho infantil, o que gera concorrência desleal e pressiona ainda mais os valores pagos ao produtor brasileiro.
O deputado federal Capitão Alden (PL-BA) saiu em defesa dos agricultores por meio de publicação nas redes sociais no dia 26 de janeiro. Ele destacou ter recebido diversas manifestações de produtores que dependem exclusivamente da cacauicultura e criticou o governo estadual, sob Jerônimo Rodrigues (PT), pela falta de políticas públicas eficazes para o setor agrícola e pela omissão em relação à segurança no campo, incluindo invasões de terra e conflitos agrários. O parlamentar prometeu levar a luta ao Congresso Nacional e aos ministérios, defendendo que os produtores buscam apenas igualdade de condições competitivas, sem privilégios.
Capitão Alden reforçou que continuará lutando pelo tema em diferentes instâncias, afirmando que o agricultor baiano merece justiça em meio a um cenário de dificuldades financeiras que ameaçam o futuro da lavoura cacaueira na região. O protesto e o posicionamento do deputado refletem o crescente descontentamento no setor, que vê na importação excessiva e na ausência de medidas protetivas uma ameaça à sustentabilidade econômica da atividade.
📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO e receba os principais destaques do dia em primeira mão
Deixe sua opinião!
Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.
Sem comentários
Seja o primeiro a comentar nesta matéria!
Carregando...