Jerônimo Rodrigues vira “governador do Zap” na política baiana

Após três anos, chefe do Executivo é mais conhecido por respostas no WhatsApp do que por grandes obras entregues
Por: Brado Redação 10.fev.2026 às 15h53
Jerônimo Rodrigues vira “governador do Zap” na política baiana
Foto: Ricardo Stuckert / PR

Três anos após assumir o governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues carrega um apelido que circula cada vez mais nos meios políticos: “governador do Zap”. A alcunha reflete a percepção dominante entre prefeitos, deputados e lideranças regionais de que o principal diferencial do atual chefe do Executivo é a rapidez e a disponibilidade para atender demandas pelo WhatsApp, em vez de avanços visíveis em obras ou políticas estruturantes.

Nos bastidores, aliados e gestores municipais repetem elogios à proximidade do governador, mas, quando pressionados a citar conquistas concretas, muitos enfrentam dificuldades. Conversas reservadas revelam desabafos sinceros: a falta de entregas palpáveis para apresentar à população tem gerado desconforto crescente. A cobrança popular por resultados reais ganha força, e a resposta frequente no WhatsApp já não basta para conter a insatisfação.

No interior, a dinâmica fica mais evidente. Em Luís Eduardo Magalhães, o prefeito Júnior Marabá, alinhado ao bolsonarismo, declarou publicamente que não faria campanha contra Jerônimo por considerá-lo amigo pessoal. Apesar da declaração, a fala não tem repercutido amplamente entre os eleitores e é interpretada por observadores como gesto pontual de fidelidade política, distante das prioridades reais da comunidade.

As grandes promessas da gestão seguem no centro das críticas. A ponte Salvador–Itaparica continua sem progresso significativo visível para a população. A Ferrovia Oeste-Leste enfrenta obstáculos persistentes, enquanto o Porto Sul permanece envolto em incertezas. Até intervenções de menor porte, como a reforma do Estádio Adauto Moraes, em Juazeiro, anunciada com prazos e valores definidos, não avançaram conforme o prometido.

No semiárido baiano, a realidade é ainda mais delicada. Comunidades lidam diariamente com seca e escassez de água, mas projetos de infraestrutura importantes só têm previsão de conclusão para 2049, o que reforça a sensação de abandono e a percepção de que as soluções chegam com atraso excessivo.

No Extremo Sul do estado, lideranças locais apontam o cancelamento de convênios para construção e reforma de escolas como fator de desgaste. A decisão, segundo relatos, teria motivação política, deixando obras paralisadas e aumentando a frustração regional.

Projetos como o VLT de Salvador e a nova Rodoviária da capital também aparecem com frequência nas discussões, mas são reconhecidos como iniciativas herdadas de administrações passadas. Poucas intervenções iniciadas do zero pela gestão atual ganharam destaque suficiente para serem apresentadas como marca própria.

Ao mesmo tempo, analistas políticos lembram que Jerônimo Rodrigues integra um ciclo de poder iniciado há mais de 20 anos, com nomes como Lula, Jaques Wagner e Rui Costa. O atual governador atua dentro de uma continuidade que carrega tanto os méritos quanto os desafios acumulados ao longo das últimas duas décadas.

Enquanto o WhatsApp segue como canal privilegiado de interlocução, a população baiana demonstra crescente ansiedade para cobrar resultados concretos. A expectativa é que a prestação de contas venha por vias mais tradicionais, com entregas efetivas que possam ser vistas e sentidas no dia a dia.



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