BYD constrói complexo residencial em Camaçari para cerca de 4 mil trabalhadores chineses

Gigante chinesa de veículos elétricos ergue empreendimento com cinco prédios e 81 mil m² próximo à fábrica instalada na antiga planta da Ford; iniciativa visa moradia perto do local de trabalho
Por: Carol Barbalho 17.mar.2026 às 05h41
BYD constrói complexo residencial em Camaçari para cerca de 4 mil trabalhadores chineses
Reprodução
A BYD, fabricante chinesa de veículos elétricos, está erguendo um grande complexo residencial em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, Bahia. O projeto prevê a construção de cerca de cinco prédios residenciais com capacidade para acomodar aproximadamente 4 mil trabalhadores que atuarão na nova fábrica da empresa no estado.O empreendimento ocupa cerca de 81 mil metros quadrados e está localizado a poucos quilômetros do complexo industrial onde a montadora instalou sua primeira grande fábrica de carros elétricos e híbridos no Brasil. A estrutura faz parte do plano de garantir moradia próxima ao local de trabalho, prática comum em grandes projetos industriais na Ásia, mas ainda pouco adotada no Brasil.A chegada da BYD a Camaçari envolve a ocupação parcial da antiga estrutura da Ford na região e representa um dos maiores investimentos industriais recentes no estado. A empresa planeja transformar o local em um polo de produção de veículos elétricos e híbridos voltado para o mercado brasileiro e latino-americano.O projeto gera expectativa de bilhões em investimentos e milhares de empregos diretos e indiretos. A iniciativa reacendeu discussões sobre o impacto econômico e social da presença de empresas chinesas na Bahia, incluindo a geração de empregos e a integração de trabalhadores estrangeiros com a população e a cidade local.

Em dezembro de 2024, uma força-tarefa do Ministério do Trabalho e Emprego resgatou 163 trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão durante obras de construção da fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia. Os operários, contratados por empreiteiras chinesas que prestavam serviços exclusivos à montadora, enfrentavam jornadas exaustivas sem folgas, alojamentos precários sem higiene adequada, retenção de passaportes e pagamento de caução, com indícios de tráfico internacional de pessoas.
Posteriormente, o Ministério Público do Trabalho ingressou com ação civil pública contra a BYD e as empresas terceirizadas, pedindo indenizações milionárias, e o Ministério do Trabalho lavrou mais de 60 autos de infração, reconhecendo a BYD como empregadora direta em alguns casos. Em 2026, as empresas firmaram acordo de R$ 40 milhões para indenizar os trabalhadores resgatados e pagar dano moral coletivo.

Paralelamente, surgiram relatos e discussões em redes sociais sobre a presença de milhares de trabalhadores chineses na região, incluindo a construção de complexos residenciais e estruturas para abrigá-los, o que gerou acusações de que Camaçari estaria sendo "tomada por chineses" ou transformada em uma "cidade chinesa", em meio ao desemprego local após o fechamento de antigas indústrias. 


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