A deputada Olívia Santana (PCdoB) comemorava seu aniversário nesta quarta-feira (25 de março de 2026) na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Colegas de diferentes partidos fizeram felicitações no plenário. Entre elas, o pronunciamento do deputado Raimundinho da JR (PL) chamou atenção por uma frase considerada controversa.
Ao se dirigir à aniversariante, Raimundinho afirmou: “É uma honra estar aqui nesta quarta-feira comemorando o aniversário dessa grande mulher nesta Casa, essa mulher negra de coração branco”. Ele continuou elogiando a parlamentar, destacando o carinho que todos na Casa têm por ela e prevendo que Olívia deixará saudade ao sair do Legislativo estadual. O deputado ainda mencionou projetos futuros para a Bahia que pretendem debater juntos em Brasília.
Antes do fim da sessão, Olívia Santana solicitou a palavra para fazer um reparo. Com tom tranquilo, ela pediu que as taquígrafas registrassem sua manifestação. A deputada esclareceu que não acreditava haver intenção de ofensa ou constrangimento por parte do colega, mas considerou necessário corrigir a expressão usada.
“Quero dizer que eu sou uma mulher negra, com todo o meu orgulho, de corpo inteiramente negro e o coração no máximo vai ter ali um sangue vermelho pulsando e está tudo ótimo. Os brancos são brancos e os negros são negros”, declarou Olívia.
Ela enfatizou a importância de discutir esses temas para contribuir com o letramento racial. “Não é elogio dizer que uma pessoa negra tem alma branca, nem que uma pessoa negra tem coração branco. Uma pessoa negra é uma pessoa, só isso”, concluiu a deputada.
O episódio ocorreu em meio às saudações rotineiras de aniversário no plenário da AL-BA e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais. O comentário de Raimundinho da JR foi interpretado por parte do público como uma tentativa de elogio que acabou reforçando estereótipos raciais, enquanto a resposta de Olívia Santana foi vista como uma defesa firme e educativa da identidade negra.
A troca de palavras reflete debates recorrentes sobre linguagem, racismo estrutural e representatividade no ambiente político baiano, onde questões raciais frequentemente surgem em discussões parlamentares.
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