Pescadores localizam destroços de avião da FAB que caiu em Boipeba em 1952

Achado no mar de Cairu reacende memória de resgate heroico realizado por moradores da ilha há mais de 70 anos
Por: Brado Redação 01.abr.2026 às 16h45
Pescadores localizam destroços de avião da FAB que caiu em Boipeba em 1952
Foto: Reprodução

Mais de sete décadas após um dos acidentes mais marcantes da aviação militar baiana, o mar ao redor de Boipeba revelou novamente vestígios de um episódio que entrou para a história da Bahia. Nesta terça-feira (31), pescadores da região encontraram fragmentos de uma aeronave da Força Aérea Brasileira que caiu na manhã de 11 de julho de 1952 nas águas próximas a Cairu, no baixo sul baiano.

O descobrimento revive detalhes de um dia que transformou uma pequena vila com cerca de 500 habitantes em cenário de um ato de coragem reconhecido nacionalmente. Moradores mais antigos guardam na memória a imagem do avião cruzando o céu em baixa altitude, seguindo o sentido norte-sul por volta das sete horas da manhã.

Naquele momento, testemunhas observaram que uma das asas da aeronave soltava fumaça enquanto ela passava muito perto da Praia do Outeiro. O impacto aconteceu a aproximadamente 200 metros a leste das piscinas naturais da área. O estrondo provocado pela queda, descrito como extremamente forte e assustador, mobilizou imediatamente os homens da comunidade.

Sem qualquer hesitação, os pescadores lançaram suas canoas ao mar e iniciaram um salvamento improvisado, realizado apenas com esforço físico e determinação. Eles conseguiram retirar 20 pessoas da água e transportá-las até a Praia da Cueira. No local, o médico Dr. Mustafá, que veio de Valença, prestou os primeiros socorros aos sobreviventes.

O que mais impressiona na história é a rapidez e a união demonstrada pela população local. Com recursos escassos na década de 1950, os moradores de Boipeba ofereceram uma verdadeira lição de solidariedade e bravura que ganhou destaque em todo o Brasil. O Ministério da Aeronáutica da época chegou a reconhecer os pescadores como heróis nacionais.

Agora, o reaparecimento dos destroços no fundo do mar funciona como um monumento silencioso a essa atitude generosa. O material encontrado encerra, de certa forma, um ciclo histórico iniciado há mais de 70 anos e reforça o papel essencial que a comunidade da ilha desempenhou naquele dia.

Registros da imprensa da época, como a reportagem veiculada no jornal A Noite, do Rio de Janeiro, trazem informações sobre o acidente, o trabalho de resgate e a mobilização das bases aéreas de Salvador, na Bahia, e de Recife, em Pernambuco, para apoiar as operações na região.

O achado recente também mantém vivas as narrativas preservadas por gerações na ilha. Locais como a Pousada Aldeia, gerida por Ricardo Horta, ajudam a manter acesas as lembranças dos antigos moradores sobre aquele dia que mudou para sempre a relação da comunidade com o mar e com a história do país.



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