Um adolescente de 13 anos, Deivson Rocha Dantas, perdeu a vida nesta quinta-feira (29) depois de ser atacado por um tubarão enquanto estava na Praia Del Chifre, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. A vítima sofreu uma mordida grave na base da coxa direita, próxima à região inguinal, o que causou hemorragia intensa e impossibilitou medidas de contenção como torniquete. Ele chegou sem vida ao Hospital do Tricentenário.
O biólogo André Maia, especialista no tema, indicou que o ferimento provavelmente foi provocado por um tubarão cabeça-chata, espécie comum na área. A Praia Del Chifre acumula agora seis registros de ataques desde o início das notificações, todos envolvendo homens, a maioria surfistas ou jovens que entravam no mar. Desses casos, dois resultaram em óbitos, sendo o primeiro em 2006.
De acordo com dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão (CEMIT), Pernambuco soma 82 ocorrências com tubarões desde 1992, concentradas sobretudo na Região Metropolitana do Recife. A Del Chifre é considerada zona de alto risco e está sob restrição para práticas náuticas desde 2004, mas os incidentes persistem ao longo das décadas.
O professor André Maia explicou os motivos que transformam o local em ponto crítico. A combinação de correntezas que vêm do Marco Zero, batem na boca da barra e retornam em loop até a praia cria uma concentração de matéria orgânica, peixes e presas que atraem os tubarões. A presença de recifes artificiais, instalados historicamente para guiar embarcações quando o porto de Recife era o principal do estado, e a própria profundidade próxima à costa aumentam a proximidade dos animais. “Surfistas e banhistas frequentes elevam o risco, e muitas vezes as pessoas desconsideram os avisos”, alertou o biólogo.
O governo de Pernambuco informou que colocou 150 novas placas de advertência em áreas perigosas, incluindo 13 em Olinda e quatro especificamente na Del Chifre. No entanto, o especialista relatou que várias delas foram danificadas ou removidas, comprometendo a efetividade da sinalização.
André Maia destacou que o estado vivia um período de quase três anos sem registros de ataques – faltavam 20 dias para completar o marco. Ele reforçou que, apesar de Pernambuco ter mais de 150 km de costa, apenas 22 km apresentam risco elevado. “É fundamental a união entre população e autoridades, com orientação aos pais e conscientização das crianças para prevenir novas tragédias”, disse.
O surfista André Sthwart, que sofreu um ataque na mesma praia em 2023, participa atualmente de iniciativas locais de alerta, enfatizando que os tubarões habitam a região e que certas áreas precisam ser evitadas para banho e esportes aquáticos.
Em resposta aos recentes acontecimentos, o governo estadual anunciou a retomada do programa de monitoramento científico, que inclui o uso de microchips para rastrear os movimentos dos tubarões na costa pernambucana. A medida busca ampliar o conhecimento sobre o comportamento das espécies e contribuir para estratégias mais eficazes de prevenção.
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