Ricardo Lewandowski adquiriu residência de investigado pela PF por R$ 9,4 milhões pouco antes de bloqueio judicial

Ex-ministro da Justiça afirma desconhecer os vendedores e busca regularização do imóvel ou cancelamento da compra com ressarcimento
Por: Brado Jornal 06.fev.2026 às 19h54
Ricardo Lewandowski adquiriu residência de investigado pela PF por R$ 9,4 milhões pouco antes de bloqueio judicial
Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
Durante o período em que ocupava o cargo de ministro da Justiça no governo federal, Ricardo Lewandowski realizou a aquisição de uma casa avaliada em R$ 9,4 milhões. O negócio ocorreu por meio de uma empresa familiar, a Eryal Empreendimentos e Participações, mantida em conjunto com seus filhos.

O vendedor foi Alan de Souza Yang, apelidado de “China”, empresário alvo de longa investigação da Polícia Federal por suspeitas de sonegação fiscal em grande escala no ramo de combustíveis. China já havia sido condenado anteriormente por adulteração de gasolina e apareceu em operações como a Ilusão e, mais recentemente, a Carbono Oculto, deflagrada em 2025, que apura desvios bilionários, lavagem de dinheiro e possíveis conexões com organizações criminosas, incluindo o PCC. Sua esposa, Anajá de Oliveira Santos Yang, também é citada como possível figura de fachada, com diversas empresas em seu nome apesar de rendimentos declarados baixos.

A residência, situada em condomínio fechado na zona sul de São Paulo e com área de 777 m², foi comprada em março de 2024, cerca de um mês após Lewandowski assumir o ministério. O ex-ministro explicou que optou por um imóvel em área protegida por motivos de segurança, após residir em casa de rua, e que o corretor apresentou a propriedade, cujos documentos pareciam em ordem na ocasião. Ele nega qualquer relação prévia com os proprietários e sustenta que o valor pago correspondeu ao de mercado, sem conhecimento das apurações sigilosas em curso.

O imóvel havia sido adquirido meses antes pela esposa de China por R$ 4 milhões, após o pai dele tê-lo obtido em leilão judicial em 2019 por R$ 4,9 milhões, decorrente de dívidas bancárias.

Apenas um mês depois da transação com Lewandowski, a Justiça Federal em São Paulo determinou o bloqueio do bem como medida cautelar nos desdobramentos das investigações contra o vendedor. Essa restrição impede alienações futuras e abre possibilidade de leilão caso haja condenação definitiva.

Diante da situação, o ex-ministro considera-se comprador de boa-fé e terceiro prejudicado, afirmando que cobra providências para a regularização da propriedade ou, na impossibilidade, a rescisão do contrato com devolução do valor investido. Em dezembro de 2024, ele transferiu sua participação na empresa aos filhos, mantendo o usufruto. A defesa de Alan de Souza Yang e familiares não se pronunciou sobre o caso.


📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Soldado da PM atira contra major em unidade em Salvador
Duas policiais militares foram baleadas e levadas em estado grave ao hospital; autora dos disparos também foi atingida durante intervenção.
BTG Pactual retoma Pix após ataque hacker que desviou R$ 100 milhões
Banco suspendeu serviço preventivamente no domingo (22.mar.2026) ao detectar atividades suspeitas; maior parte dos recursos já foi recuperada, sem acesso a contas ou dados de clientes
Ratinho Junior desiste da Presidência e decide concluir mandato no Paraná
Governador anuncia permanência até dezembro de 2026 e deixa disputa interna do PSD; decisão comunicada a Kassab pode alterar equilíbrio na sigla e enfraquecer terceira via
Paralisação geral de motoristas de aplicativos e motoboys é anunciada para terça-feira em Salvador
Convocação circula nas redes sociais e segue protestos de quinta-feira contra o aumento dos preços dos combustíveis e pela redução do ICMS
ONG feminista Matria entra com ação judicial contra deputada Erika Hilton por declarações consideradas ofensivas
Processo cobra indenização de R$ 500 mil após Erika Hilton chamar críticos de “transfóbicos e imbecis”, “esgoto da sociedade” e afirmar que “podem latir” ao assumir presidência da Comissão da Mulher
Carregando..