O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, manifestou à Polícia Federal (PF) o desejo de prestar um novo depoimento no inquérito que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master e o banco público do Distrito Federal.
De acordo com fontes próximas às investigações consultadas pela Folha de S.Paulo, as conversas entre Costa e os investigadores estão em andamento, embora ainda não se configurem como uma colaboração formal. Há indícios de que ele possa fornecer mais elementos à apuração, inclusive com possibilidade de acordo de delação premiada, mecanismo em que o investigado oferece informações em troca de benefícios como redução de pena.
A PF examina se Costa participou da elaboração de documentos falsos para encobrir irregularidades na compra, pelo BRB, de carteiras de crédito consignado sem lastro do Master, totalizando R$ 12,2 bilhões. Também são investigadas trocas de ativos fraudulentos por outros bens e a entrada de Daniel Vorcaro e sócios no capital do BRB por meio de fundos geridos pela Reag.
Procurado pela reportagem, Paulo Henrique Costa reafirmou que segue colaborando plenamente com as autoridades e se coloca à inteira disposição das instituições. Ele declarou: “Minha colaboração é no estrito sentido de confiar nas instituições, no devido processo legal e fornecer todas as informações ao meu alcance para que tudo seja esclarecido o mais breve possível”.
O ex-dirigente nega qualquer participação em irregularidades, sustentando que sempre atuou dentro das atribuições de presidente do BRB, com base em decisões colegiadas, boas práticas e no planejamento estratégico do banco. Ele está organizando documentos adicionais para apresentar no novo depoimento, incluindo comunicações enviadas ao Banco Central sobre os fundos que se tornaram acionistas do BRB.
Costa rejeita a ideia de delação premiada, afirmando: “Nunca nem falamos sobre isso”. Sua defesa argumenta que sua conduta foi estritamente técnica e que ele pode contribuir para esclarecer operações passadas e futuras.
O afastamento de Costa do comando do BRB ocorreu em 17 de novembro de 2025, coincidindo com a liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central e a deflagração da operação Compliance Zero da PF, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro.
Em dezembro de 2025, Costa depôs no Supremo Tribunal Federal (STF) por determinação do ministro Dias Toffoli, junto com Vorcaro e o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino. Posteriormente, houve acareação entre Costa e Vorcaro, com o sigilo das oitivas levantado em 30 de janeiro de 2026.
Na acareação, as versões divergiram sobre a origem dos créditos: Vorcaro alegou que o BRB sabia da participação de terceiros, enquanto Costa afirmou que, pelo seu conhecimento, os créditos eram originados pelo Master e revendidos após recompra. Ele mencionou ter identificado ligação com a Tirreno apenas entre abril e maio de 2025, por meio de análises técnicas de padrões documentais.
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