O império construído por Nelson Tanure ao longo de décadas está ruindo em meio ao escândalo do Banco Master. O empresário, que já investiu em mais de 200 companhias em dificuldade e atuou em setores como petróleo, telecomunicações e varejo, vê seus negócios desmoronarem enquanto autoridades investigam se ele atuava como sócio oculto da instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.
Documentos analisados pela imprensa indicam que Tanure, por meio de veículos de investimento como o Estocolmo e a offshore Aventti Strategic Partners, aportou ao menos R$ 1,6 bilhão no Banco Master desde 2020. Os recursos foram usados para adquirir debêntures da Banvox, holding que detinha o banco, seguidos de aportes de capital na própria instituição.
A defesa de Tanure afirma categoricamente que ele nunca foi sócio, controlador ou beneficiário do Banco Master, tendo mantido apenas relações comerciais legítimas como cliente. Segundo seus advogados, as debêntures não permitiam conversão em ações ou participação societária.
O relacionamento entre Tanure e Vorcaro começou por volta de 2020, por intermédio de Mauricio Quadrado, ex-sócio do banco. Apesar de estilos de vida opostos, Tanure se descreve como introvertido e discreto, enquanto Vorcaro ostentava luxo com jatos particulares e festas milionárias, os dois se aproximaram. Vorcaro chegou a presentear Tanure com um relógio Jaeger-LeCoultre em seu aniversário de 70 anos.
Daniel Vorcaro foi preso novamente em março, acusado de ameaçar jornalista, interferir em investigações e acessar sistemas internacionais de forma irregular. Recentemente, ele firmou acordo de colaboração com as autoridades.
Várias empresas ligadas a Tanure realizaram operações com o Banco Master ou fundos a ele relacionados. A rede de supermercados Dia, comprada durante recuperação judicial, usou parte significativa de seu caixa para adquirir títulos do Letsbank, do conglomerado do Master. A Emae, empresa de energia, também investiu R$ 140 milhões em papéis do banco.
A CVM investiga uma suposta ação coordenada entre Tanure, o Banco Master e o presidente da Ambipar para inflar o preço das ações da empresa de gestão de resíduos em 2024. Tanure perdeu o controle da Emae após inadimplência de dívida, e a Ambipar entrou em recuperação judicial.
O aperto de crédito e o escrutínio regulatório obrigaram Tanure a liquidar participações importantes e tiveram impacto negativo nas cotações de suas empresas. Bens do empresário foram congelados pelas autoridades.
Aos 74 anos, Tanure enfrenta o maior desafio de sua carreira em meio a um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.
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