Banco Central admite quase 100% de chance de estouro da meta fiscal em 2024

Relatório aponta inflação acima do teto da meta e revisa crescimento do PIB para 2023
Por: Brado Jornal 19.dez.2024 às 10h33
Banco Central admite quase 100% de chance de estouro da meta fiscal em 2024
Marcello Casal/Agência Brasil

O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira (19) o relatório de inflação, revelando que há quase 100% de chance de descumprimento da meta fiscal para 2024. A projeção para 2025 é de 50% de probabilidade de desvio, enquanto, para 2026, a estimativa é de 26%.  

O documento também aponta que a inflação acumulada em 12 meses deverá ultrapassar o teto da meta, fixado em 4,5% para este ano. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador de inflação do país, acumulou 4,29% de janeiro a novembro, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  


Pressões inflacionárias  

De acordo com o BC, a inflação aumentou de 4,24% em agosto para 4,87% em novembro, com um impacto de +0,44 ponto percentual acima das previsões do relatório anterior. O aumento foi impulsionado por fatores como alta nos preços dos alimentos, aquecimento econômico e desvalorização cambial.  

“A principal surpresa ocorreu nos preços de alimentos, com destaque para a carne bovina, que subiu mais cedo e de forma mais intensa do que o previsto. Também houve repasse dessa alta para alimentação fora do domicílio”, afirma o relatório.  

Outros itens que contribuíram para a inflação incluem o seguro voluntário de veículos e alimentos industrializados. Já o preço da gasolina, que permaneceu estável, e os bens industriais, como vestuário e artigos de residência, apresentaram surpresas menores.  


Projeções de crescimento econômico  

Apesar das dificuldades fiscais e inflacionárias, o Banco Central revisou para cima sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023, de 3,2% para 3,5%. A projeção supera a do Ministério da Fazenda, que estima alta de 3,3%.  

Para 2025, o BC prevê um avanço de 2,1% na economia brasileira, acima da previsão de 2% divulgada em setembro, mas ainda inferior à estimativa do governo Lula, que projeta um crescimento de 2,5% para o mesmo período.  

O relatório destaca o desafio de cumprir as metas fiscais em um cenário de inflação elevada e custos crescentes. A meta central de inflação para 2024 é de 3%, com uma margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. A autoridade monetária já havia sinalizado o risco de descumprimento em ata recente do Comitê de Política Monetária (Copom), que estimou inflação de 4,9% para este ano.  

O Banco Central reforçou que manterá o monitoramento da conjuntura econômica e destacou a necessidade de ajustes nas políticas fiscal e monetária para enfrentar os desafios.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Toffoli autoriza inquérito da PF para investigar influenciadores contra o Banco Central
Ministro do STF defere pedido da PGR e abre investigação contra criadores de conteúdo acusados de ataques coordenados e disseminação de informações falsas sobre a autoridade monetária
Divergência em acareação expõe versões distintas sobre créditos podres do Master
Vorcaro afirmou origem em terceiros; ex-presidente do BRB disse que inicialmente eram do próprio banco
Ibovespa atinge 185 mil pontos em recorde histórico
Dólar sobe levemente e mercados globais aguardam decisões de juros do Fed e Copom na primeira Superquarta de 2026, com inflação prévia abaixo do esperado no Brasil.
Contrato de R$ 6,5 milhões do Banco Master continuou com escritório de Lewandowski mesmo após posse no Ministério da Justiça
Acordo mensal de R$ 250 mil foi mantido por 21 meses após Ricardo Lewandowski assumir cargo ministerial, com pagamentos direcionados ao escritório administrado por seus filhos
Com Selic a 15%, taxa de juros real no Brasil atinge maior patamar em duas décadas
Juros básicos mantidos em 15% ao ano pelo Copom deixam Brasil com o maior custo real de crédito entre grandes economias emergentes, superando níveis vistos desde o início dos anos 2000
Ibovespa encara super quarta com decisões de juros do Fed e Copom no radar
Índice renovou máxima histórica na véspera e inicia pregão sob expectativa de manutenção das taxas nos EUA (3,50-3,75%) e no Brasil (Selic em 15%), com foco nas comunicações e agenda fiscal doméstica
Carregando..