O Banco Central anunciou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição ligada ao conglomerado do Banco Master e controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. A medida foi tomada em razão do comprometimento da situação econômico-financeira da empresa, de sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício de controle do Banco Master, que já se encontra em processo de liquidação desde novembro de 2025.
A decisão, assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, estende os efeitos da crise do Banco Master à Will Financeira, conhecida comercialmente como Will Bank, um braço digital do grupo. Com a liquidação, as operações da instituição são imediatamente interrompidas, e ela é retirada do Sistema Financeiro Nacional.
O BC nomeou Eduardo Bianchini como liquidante, o mesmo responsável pelo processo do Banco Master, para gerir o encerramento das atividades e a devolução de valores aos credores.
Além da liquidação, o Banco Central determinou a indisponibilidade de bens dos controladores e ex-administradores da Will Financeira, incluindo empresas como Will Holding Financeira, Master Holding Financeira e 133 Investimentos e Participações, além de pessoas físicas como Daniel Vorcaro, Armando Miguel Gallo Neto, Felipe Wallace Simonsen, Felipe Félix Soares e Ricardo Saad Neto.
A medida visa preservar recursos para ressarcir possíveis prejuízos e segue previsões legais para casos de insolvência.
O contexto remete à liquidação do Banco Master em 18 de novembro de 2025, desencadeada por investigações da Polícia Federal sobre supostas fraudes bilionárias no Sistema Financeiro Nacional, incluindo uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos e tentativas de socorro via instituições públicas.
Vorcaro, principal acionista, foi preso no final de 2025 em operação que expôs irregularidades no conglomerado.
Para os clientes da Will Financeira, depósitos e investimentos como CDBs estão cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O BC enfatizou que a ação é inevitável após o descumprimento de obrigações financeiras, como a grade de pagamentos do Pix em 19 de janeiro de 2026, e o bloqueio de participação em arranjos de pagamento.
A liquidação agrava o cenário de instabilidade no setor financeiro, com impactos potenciais em credores e no mercado de crédito digital. Analistas apontam que o caso reforça a vigilância regulatória sobre instituições de menor porte, especialmente aquelas ligadas a conglomerados sob escrutínio.
O Banco Central não divulgou estimativas de prejuízos totais, mas o processo deve se estender por meses, com prioridade para o ressarcimento de depositantes.
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