Ibovespa atinge 185 mil pontos em recorde histórico

Dólar sobe levemente e mercados globais aguardam decisões de juros do Fed e Copom na primeira Superquarta de 2026, com inflação prévia abaixo do esperado no Brasil.
Por: Brado Redação 28.jan.2026 às 15h15
Ibovespa atinge 185 mil pontos em recorde histórico
Imagem gerada por IA

O dólar apresenta pequena alta nesta quarta-feira (28), em um dia de grande expectativa no mercado financeiro, enquanto o Ibovespa conquista novo recorde ao superar os 185 mil pontos.

Por volta das 15h, a cotação da moeda americana avançava 0,07%, negociada a R$ 5,2091, depois de tocar a mínima do dia em R$ 5,1751. No pregão anterior, o dólar havia fechado com queda expressiva de 1,41%, alcançando R$ 5,2056 — patamar mais baixo em mais de 18 meses.

Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice acionário do país, registrava valorização de 1,11%, aos 183.937 pontos, com pico intradiário de 185.065 pontos, estabelecendo nova máxima histórica.

A atenção dos investidores se concentra nas decisões simultâneas de política monetária tomadas pelo Banco Central do Brasil e pelo Federal Reserve americano, conhecidas como Superquarta. No Brasil, o consenso aponta para manutenção da Selic em 15% ao ano na reunião do Copom, mas o mercado busca sinais mais concretos sobre o possível início do ciclo de cortes, com alguns analistas apostando em indicações já para março.

Nos Estados Unidos, a expectativa também é de estabilidade na faixa de 3,5% a 3,75%. Os olhares se voltam especialmente para a fala de Jerome Powell, presidente do Fed, em sua primeira entrevista coletiva após o governo Trump anunciar investigação criminal contra ele.

A pressão política sobre o banco central americano segue intensa. Trump tem reiterado críticas a Powell e indicado que pretende nomear um novo presidente para o Fed em breve, o que gera receio entre investidores de possível perda de independência da instituição e cortes mais rápidos nos juros. O atual mandato de Powell termina em maio.

Inflação mais branda reforça perspectiva de alívio monetário

O IPCA-15 de janeiro, divulgado pelo IBGE, subiu 0,20%, ficando ligeiramente abaixo da mediana das estimativas (0,22%). Em 12 meses, a inflação acumulada atingiu 4,50%.

Os grupos que mais contribuíram para a alta foram saúde e cuidados pessoais (planos de saúde e produtos de higiene) e comunicação (com destaque para celulares). Na alimentação, itens como tomate, batata, frutas e carnes subiram, enquanto leite, arroz e café apresentaram redução de preços.

Por outro lado, o grupo transportes registrou alívio, puxado pela queda nas passagens aéreas e por políticas de tarifa zero em transporte público adotadas em algumas cidades.

Esses dados alimentam a expectativa de que o Banco Central brasileiro possa iniciar um processo de redução da Selic ainda no primeiro trimestre de 2026. Segundo a última edição do Boletim Focus (26), as instituições financeiras projetam a taxa básica encerrando o ano em 12,25% — corte de 2,75 pontos percentuais em relação ao patamar atual de 15%.

Cenário internacional marcado por tarifas e novos acordos

No front externo, Donald Trump elevou as tarifas sobre importações da Coreia do Sul de 15% para 25% em categorias como automóveis, madeira e medicamentos, justificando a medida por descumprimento de acordo comercial anterior pelo Parlamento sul-coreano. Seul sinalizou intenção de negociar.

Ao mesmo tempo, China e Rússia fortaleceram a parceria estratégica, anunciando maior cooperação para enfrentar pressões externas, especialmente após a divulgação da nova doutrina de defesa dos EUA.

Em contraponto, a União Europeia e a Índia assinaram na terça-feira (27) um importante acordo comercial que reduz barreiras tarifárias em diversos setores. Tarifas indianas caem de forma significativa: carros europeus de 110% para 10%, vinho de 150% para 20% e zeragem para massas e chocolates.

A expectativa é de economia de até 4 bilhões de euros anuais para a UE e aumento nas exportações indianas de têxteis, joias e couro. O pacto também prevê colaboração em tecnologia, investimentos, mobilidade de trabalhadores, educação, segurança e defesa — movimento visto como estratégia para maior autonomia econômica em meio a um ambiente global instável.

Bolsas globais em compasso de espera

Em Wall Street, os principais índices operam sem direção definida enquanto aguardam o resultado da reunião do Fed. Por volta das 11h (horário de Brasília), Dow Jones caía 0,83%, S&P 500 subia 0,41% e Nasdaq avançava 0,91%.

Na Europa, predomina o sinal negativo: STOXX 600 recuava 0,65%, FTSE 100 perdia 0,45%, CAC 40 caía 1,30% e DAX diminuía 0,51%.

Na Ásia, a sessão terminou majoritariamente positiva, impulsionada pela alta do ouro, que beneficiou setores de energia e materiais. Xangai subiu 0,27%, CSI 300 avançou 0,26%, Hang Seng (Hong Kong) disparou 2,10% (melhor fechamento desde julho de 2021), Nikkei ganhou 0,05%, Kospi subiu 1,69% e Taiex teve alta de 1,50%. Straits Times (Cingapura) caiu 0,28% e S&P/ASX 200 (Austrália) recuou 0,09%.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Contrato de R$ 6,5 milhões do Banco Master continuou com escritório de Lewandowski mesmo após posse no Ministério da Justiça
Acordo mensal de R$ 250 mil foi mantido por 21 meses após Ricardo Lewandowski assumir cargo ministerial, com pagamentos direcionados ao escritório administrado por seus filhos
Jerônimo libera crédito suplementar de R$ 319 milhões para segurança em meio a caos na Bahia
Apesar de duas décadas de governos petistas com bilhões despejados, estado segue como um dos mais violentos do país, com sucateamento da PM e índices alarmantes de criminalidade que questionam a real efetividade de novos repasses
Ibovespa encara super quarta com decisões de juros do Fed e Copom no radar
Índice renovou máxima histórica na véspera e inicia pregão sob expectativa de manutenção das taxas nos EUA (3,50-3,75%) e no Brasil (Selic em 15%), com foco nas comunicações e agenda fiscal doméstica
Luis Stuhlberger critica gasto público elevado e alerta para riscos fiscais no Brasil
Gestor da Verde Asset afirma que o país opera com nível “insano” de despesas estatais para um emergente, com dívida em trajetória de alta e resiliência econômica sustentada por transferências governamentais, mas insustentável a longo prazo
Brasil intensifica desdolarização e reduz exposição ao dólar americano
País vendeu US$ 61,1 bilhões em títulos do Tesouro dos EUA, ampliou reservas de ouro e iniciou comércio de soja com China em moedas locais, desafiando hegemonia financeira dos Estados Unidos
Ação alega que corretoras omitiram riscos de CDBs emitidos pelo Banco Master
Investidores processam grandes corretoras por suposta falta de informação sobre perigos dos títulos de renda fixa do Banco Master, que foram liquidados com prejuízo bilionário após fraudes detectadas pelo Banco Central
Carregando..