O dólar apresenta pequena alta nesta quarta-feira (28), em um dia de grande expectativa no mercado financeiro, enquanto o Ibovespa conquista novo recorde ao superar os 185 mil pontos.
Por volta das 15h, a cotação da moeda americana avançava 0,07%, negociada a R$ 5,2091, depois de tocar a mínima do dia em R$ 5,1751. No pregão anterior, o dólar havia fechado com queda expressiva de 1,41%, alcançando R$ 5,2056 — patamar mais baixo em mais de 18 meses.
Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice acionário do país, registrava valorização de 1,11%, aos 183.937 pontos, com pico intradiário de 185.065 pontos, estabelecendo nova máxima histórica.
A atenção dos investidores se concentra nas decisões simultâneas de política monetária tomadas pelo Banco Central do Brasil e pelo Federal Reserve americano, conhecidas como Superquarta. No Brasil, o consenso aponta para manutenção da Selic em 15% ao ano na reunião do Copom, mas o mercado busca sinais mais concretos sobre o possível início do ciclo de cortes, com alguns analistas apostando em indicações já para março.
Nos Estados Unidos, a expectativa também é de estabilidade na faixa de 3,5% a 3,75%. Os olhares se voltam especialmente para a fala de Jerome Powell, presidente do Fed, em sua primeira entrevista coletiva após o governo Trump anunciar investigação criminal contra ele.
A pressão política sobre o banco central americano segue intensa. Trump tem reiterado críticas a Powell e indicado que pretende nomear um novo presidente para o Fed em breve, o que gera receio entre investidores de possível perda de independência da instituição e cortes mais rápidos nos juros. O atual mandato de Powell termina em maio.
Inflação mais branda reforça perspectiva de alívio monetário
O IPCA-15 de janeiro, divulgado pelo IBGE, subiu 0,20%, ficando ligeiramente abaixo da mediana das estimativas (0,22%). Em 12 meses, a inflação acumulada atingiu 4,50%.
Os grupos que mais contribuíram para a alta foram saúde e cuidados pessoais (planos de saúde e produtos de higiene) e comunicação (com destaque para celulares). Na alimentação, itens como tomate, batata, frutas e carnes subiram, enquanto leite, arroz e café apresentaram redução de preços.
Por outro lado, o grupo transportes registrou alívio, puxado pela queda nas passagens aéreas e por políticas de tarifa zero em transporte público adotadas em algumas cidades.
Esses dados alimentam a expectativa de que o Banco Central brasileiro possa iniciar um processo de redução da Selic ainda no primeiro trimestre de 2026. Segundo a última edição do Boletim Focus (26), as instituições financeiras projetam a taxa básica encerrando o ano em 12,25% — corte de 2,75 pontos percentuais em relação ao patamar atual de 15%.
Cenário internacional marcado por tarifas e novos acordos
No front externo, Donald Trump elevou as tarifas sobre importações da Coreia do Sul de 15% para 25% em categorias como automóveis, madeira e medicamentos, justificando a medida por descumprimento de acordo comercial anterior pelo Parlamento sul-coreano. Seul sinalizou intenção de negociar.
Ao mesmo tempo, China e Rússia fortaleceram a parceria estratégica, anunciando maior cooperação para enfrentar pressões externas, especialmente após a divulgação da nova doutrina de defesa dos EUA.
Em contraponto, a União Europeia e a Índia assinaram na terça-feira (27) um importante acordo comercial que reduz barreiras tarifárias em diversos setores. Tarifas indianas caem de forma significativa: carros europeus de 110% para 10%, vinho de 150% para 20% e zeragem para massas e chocolates.
A expectativa é de economia de até 4 bilhões de euros anuais para a UE e aumento nas exportações indianas de têxteis, joias e couro. O pacto também prevê colaboração em tecnologia, investimentos, mobilidade de trabalhadores, educação, segurança e defesa — movimento visto como estratégia para maior autonomia econômica em meio a um ambiente global instável.
Bolsas globais em compasso de espera
Em Wall Street, os principais índices operam sem direção definida enquanto aguardam o resultado da reunião do Fed. Por volta das 11h (horário de Brasília), Dow Jones caía 0,83%, S&P 500 subia 0,41% e Nasdaq avançava 0,91%.
Na Europa, predomina o sinal negativo: STOXX 600 recuava 0,65%, FTSE 100 perdia 0,45%, CAC 40 caía 1,30% e DAX diminuía 0,51%.
Na Ásia, a sessão terminou majoritariamente positiva, impulsionada pela alta do ouro, que beneficiou setores de energia e materiais. Xangai subiu 0,27%, CSI 300 avançou 0,26%, Hang Seng (Hong Kong) disparou 2,10% (melhor fechamento desde julho de 2021), Nikkei ganhou 0,05%, Kospi subiu 1,69% e Taiex teve alta de 1,50%. Straits Times (Cingapura) caiu 0,28% e S&P/ASX 200 (Austrália) recuou 0,09%.
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