A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, um estudo que alerta para os elevados custos econômicos de uma eventual redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, proposta em tramitação no Congresso Nacional.
Segundo o levantamento, que incorpora simulações da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o impacto total nos setores de comércio e serviços chegaria a R$ 357 bilhões em custos de adaptação. Desse montante, R$ 122 bilhões recairiam sobre o comércio e R$ 235 bilhões sobre os serviços. A entidade estima ainda que a medida poderia elevar os preços em até 13% e resultar na perda de até 638 mil vagas formais de emprego.
O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, apresentou os dados e destacou que mais de 90% dos trabalhadores nos dois setores atualmente cumprem jornadas superiores a 40 horas, muitas vezes no regime 6x1. Ele argumentou que a hora trabalhada ficaria mais cara, forçando alguém a arcar com a conta — seja por meio de aumentos de preços, demissões, redução de horários de funcionamento ou estímulo à informalidade.
Bentes enfatizou que, em setores altamente competitivos como o varejo, pequenos estabelecimentos têm pouca margem para repassar custos sem perder clientes, o que poderia levar a contratações adicionais onerosas ou ao aumento da informalidade. Ele defendeu que qualquer alteração na jornada seja feita por meio de negociação coletiva, preservando a competitividade e a renda dos trabalhadores.
O estudo compara o Brasil com países desenvolvidos, onde jornadas menores são viáveis graças a maior produtividade, qualificação da mão de obra e investimentos em capital, fatores que, segundo dados do Banco Mundial, diferenciam essas economias desde 1980. A CNC argumenta que, sem avanços nesses aspectos, uma redução abrupta comprometeria a produção e o equilíbrio do mercado de trabalho, especialmente em um cenário de baixo desemprego e renda real em recuperação.
A entidade planeja encaminhar o material a parlamentares para embasar o debate sobre a proposta, que afeta o regime 6x1 e busca limitar a carga horária semanal.
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