Pelo menos 60 organizações representativas de setores como indústria, comércio, transportes, agropecuária e serviços lançaram um manifesto defendendo modificações na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da jornada 6x1 e a redução da carga semanal de trabalho. O documento, obtido pela imprensa, enfatiza a necessidade de adaptar escalas, turnos e limites de jornada conforme as particularidades de cada atividade econômica e de cada região do país.
As entidades argumentam que uma alteração uniforme e imediata poderia elevar a informalidade, que já atinge cerca de 40% da força de trabalho, dificultar a contratação e retenção de profissionais qualificados, aumentar custos operacionais e pressionar preços de bens essenciais, como alimentos, remédios e transporte coletivo.
Entre as principais reivindicações estão: priorizar a manutenção e geração de empregos formais; promover ganhos de produtividade por meio de qualificação profissional e adoção de tecnologias; realizar discussões técnicas amplas envolvendo trabalhadores, empregadores e governo; e permitir que a negociação coletiva defina regras específicas por ramo de atividade ou localização geográfica.
O grupo recomenda ainda que a votação da PEC ocorra somente após as eleições de 2026, para evitar polarizações eleitorais e possibilitar a construção de acordos mais sólidos e duradouros.
O manifesto será protocolado na terça-feira (3 de março de 2026) junto aos presidentes das frentes parlamentares do agronegócio, do empreendedorismo e do livre mercado. Posteriormente, o texto chegará ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). As entidades também buscam audiência com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que incluiu a matéria entre as prioridades da Casa para 2026.
A PEC em questão, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e apensada a outra proposta, prevê a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 36 horas, com adoção do modelo 4x3 (quatro dias de trabalho e três de descanso), eliminando a escala 6x1. O relator na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, deputado Paulo Azi (União Brasil-BA), cobra contrapartidas do governo para compensar eventuais aumentos de custos às empresas.
O texto das entidades não solicita desoneração da folha de pagamento como condição direta, preferindo tratar esse tema separadamente. Elas reforçam que modernizar as relações trabalhistas é legítimo para melhorar a qualidade de vida, desde que equilibrado com a sustentabilidade econômica e sem gerar precarização ou perda de competitividade.
O debate ganha força em ano eleitoral, com o governo defendendo a mudança como forma de dar mais tempo livre aos trabalhadores, impulsionada por avanços tecnológicos e aumento da expectativa de vida, enquanto o setor privado alerta para os riscos de implementação sem adaptações setoriais.
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