O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,7% da renda disponível em janeiro de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O indicador ficou estável em relação ao mês anterior e se aproxima do pico histórico de 49,9%, registrado em julho de 2022.
O percentual representa a relação entre o saldo total das dívidas das pessoas físicas com o sistema financeiro e a renda nacional disponível bruta acumulada em 12 meses. Desde janeiro de 2025, o endividamento subiu 1,1 ponto percentual.
Quando excluído o crédito habitacional, o nível chega a 31,3%, o maior desde 2022. O crédito imobiliário responde por cerca de 40% do endividamento total, o que explica a diferença de aproximadamente 16 pontos percentuais.
Além do endividamento acumulado, o comprometimento mensal da renda com o pagamento de dívidas alcançou o recorde de 29,3% em janeiro. Esse indicador mede quanto da renda disponível no mês é destinado ao serviço da dívida e subiu 1,8 ponto percentual em relação a fevereiro de 2025. Sem considerar o financiamento imobiliário, o comprometimento fica em 27,1%, também em patamar recorde.
O aumento reflete o peso maior de modalidades de crédito mais caras. Em fevereiro, a taxa média de juros do rotativo do cartão de crédito chegou a 435,9% ao ano, enquanto o parcelado atingiu 202,2% e o cheque especial, 147%.
A inadimplência também piorou. O atraso entre 15 e 90 dias em operações de crédito para pessoas físicas subiu para 5,48%, o maior nível desde 2020. Já a inadimplência acima de 90 dias alcançou 5,24%, a taxa mais alta desde 2012.
No rotativo do cartão de crédito com recursos livres, a inadimplência superou 59,75% em fevereiro. No cheque especial, ficou em 14,42%.
O governo federal tem demonstrado preocupação com o cenário, especialmente em ano eleitoral. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a equipe econômica estuda medidas para aliviar o endividamento das famílias, com foco em cartão de crédito, cheque especial e crédito consignado, embora sem prazos definidos para implementação.
O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, explicou que o comprometimento de renda oferece um retrato mais imediato da pressão sobre o orçamento familiar do que o endividamento total, pois considera os pagamentos mensais efetivos, que variam conforme o tipo de dívida.
Os números indicam que as famílias brasileiras enfrentam maior pressão financeira, impulsionada pelo crescimento de linhas de crédito emergencial e pelos juros elevados, mesmo com a estabilidade recente do endividamento total.
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