SEAP apreende cartilha com “leis do BDM” e arsenal artesanal no presídio de Irecê

Documento escrito à mão impunha regras rígidas a membros da facção Bonde do Maluco, incluindo dias específicos para masturbação e normas de limpeza; operação desarticula tentativa de “governo paralelo”
Por: Brado Jornal 19.jan.2026 às 06h43
SEAP apreende cartilha com “leis do BDM” e arsenal artesanal no presídio de Irecê
Foto: Ascom/Seap
Uma operação de inteligência da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP), com apoio da CIPE/Semiárido, descobriu uma cartilha contendo as “leis do BDM” (Bonde do Maluco) dentro do Conjunto Penal de Irecê, na última sexta-feira (17). O material, escrito à mão em duas folhas de papel, estabelecia normas de conduta obrigatórias para os internos filiados à facção, revelando tentativa de impor um “governo paralelo” atrás das grades.

A cartilha detalhava regras de disciplina interna, higiene, silêncio e até controle sobre comportamentos íntimos. Entre os itens mais chamativos estão a determinação de que a masturbação só poderia ocorrer aos domingos, segundas e terças-feiras, com punição (“pau e viola”) em caso de descumprimento, e a proibição de depilação em outros dias. Outras normas incluíam:
Respeito e humildade acima de tudo;
Faxina da cela duas vezes ao dia (manhã e noite), com “rapa” antes e após as refeições;
Silêncio total após apagar as luzes (“cascão”) para não incomodar os vizinhos;
Proibição de discussões na cela, brincadeiras envolvendo família, roubo, delação ou desrespeito entre membros;
Prioridade ao rampeiro (responsável pela distribuição de refeições) e nada de conversa com monitores ou pedidos diretos de remédio/enfermeira — tudo deveria passar pelo “carteiro” da cela;
Transparência total e “simpatia zero”;
Orientação obrigatória a novatos para evitar que fiquem “de toca”;
Nada de jogo durante horário de culto religioso.

Além da cartilha, os agentes apreenderam cerca de 30 armas artesanais improvisadas, confeccionadas com lâminas, pedaços de madeira, escovas de dente afiadas e outros materiais, destinadas possivelmente a ataques ou rebeliões.

A SEAP informou que, após o “pente-fino” na Galeria C (local da descoberta), a rotina no presídio foi imediatamente normalizada. Todo o material proibido foi recolhido e apresentado à autoridade competente para investigação. A secretaria reforçou que o alerta permanece elevado para impedir novas tentativas de facções de impor legislação própria no sistema prisional.

O Bonde do Maluco (BDM) é uma das facções criminosas ativas na Bahia, conhecida por atuação no tráfico de drogas e controle territorial em diversas regiões. A descoberta reforça preocupações recorrentes sobre a influência de grupos criminosos dentro das unidades prisionais baianas, mesmo com operações frequentes de revista.

Não há menção a prisões específicas ou identificação de líderes envolvidos no episódio até o momento. A SEAP não divulgou atualizações adicionais sobre o caso após a operação de sexta-feira.


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