O Brasil atingiu em 2025 o maior número de denúncias de trabalho em condição análoga à de escravo desde o início da série histórica, com 3.442 registros formalizados junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O volume representa crescimento de 57% em comparação com as 2.193 denúncias recebidas em 2024, indicando maior visibilidade do problema e maior disposição das vítimas e da sociedade em denunciar.
De acordo com balanço divulgado pelo governo federal, a maioria das queixas envolveu trabalhadores rurais submetidos a jornadas exaustivas, condições degradantes de moradia e alimentação, retenção de documentos pessoais, dívidas fraudulentas e violência física ou psicológica para impedir fugas. Os setores mais citados foram pecuária de corte (especialmente fazendas de engorda de gado), cana-de-açúcar, cultivo de soja, extração de madeira e carvoaria.
As regiões Norte e Centro-Oeste concentraram a maior parte das denúncias, com destaque para os estados do Pará, Mato Grosso, Maranhão e Tocantins. No Sudeste, Minas Gerais e São Paulo também registraram números expressivos, principalmente em propriedades rurais de médio e grande porte.
O recorde reflete, segundo especialistas, o fortalecimento dos canais de denúncia, como o aplicativo Carteira de Trabalho Digital, o Disque 100 e o site do MTE, e o aumento da fiscalização após a retomada de operações conjuntas entre auditores-fiscais do trabalho, Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho e Polícia Rodoviária Federal. Em 2025, foram realizadas 1.872 fiscalizações específicas contra o trabalho escravo, resultando na liberação de 2.314 trabalhadores das condições degradantes.
O Ministério do Trabalho e Emprego atribui o aumento das denúncias à maior conscientização da população e à criação de novas ferramentas de registro anônimo, mas reconhece que o número real de casos ainda é muito superior ao registrado. O governo anunciou que pretende ampliar em 2026 o número de grupos móveis de fiscalização e investir em campanhas de prevenção junto a trabalhadores migrantes e comunidades vulneráveis.
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