PF retém dados de 52 celulares na investigação do Banco Master

Três meses após início da operação Compliance Zero, Supremo segue sem acesso a conteúdos apreendidos, mesmo com aparelhos desbloqueados; Mendonça recebe novo relatório hoje
Por: Brado Jornal 23.fev.2026 às 07h50
PF retém dados de 52 celulares na investigação do Banco Master
Fotos: Rosinei Coutinho/STF... Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/politica/senado-aprova-a-criacao-de-novos-cargos-da-policia-judicial-e-de-funcoes-comissionadas-no-stf/. O conteúdo de CartaCapital está protegido pela legislação brasileira
A Polícia Federal ainda não forneceu ao Supremo Tribunal Federal os dados extraídos de 52 celulares apreendidos durante a operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. A investigação, iniciada em novembro de 2025, já dura mais de três meses, mas o STF, responsável pela relatoria do caso, permanece sem acesso a essas informações cruciais, mesmo com muitos aparelhos desbloqueados pelos próprios proprietários.

Na primeira fase da operação, realizada em 18 de novembro de 2025, foram recolhidos 13 celulares, incluindo alguns de ex-executivos do BRB com conteúdo totalmente acessível. Na segunda etapa, em 14 de janeiro de 2026, mais 39 aparelhos foram apreendidos, totalizando 52 telefones em posse da PF. Apesar disso, nem o ex-relator Dias Toffoli (que deixou o caso no último dia 12) nem o atual relator André Mendonça receberam os conteúdos das mensagens e arquivos desses dispositivos.

O caso investiga suspeitas de desvio de ativos, ocultação de prejuízos, gestão fraudulenta, organização criminosa, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro, com rombo estimado em bilhões de reais, incluindo a venda de créditos falsos de R$ 12,2 bilhões ao BRB. O Banco Central decretou a liquidação do Master, Will Bank e Pleno devido às irregularidades.

Em reunião reservada no STF em 12 de fevereiro, os ministros rejeitaram por unanimidade um relatório de cerca de 200 páginas entregue pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que apontava supostas proximidades entre Toffoli e Daniel Vorcaro (fundador do Banco Master, preso preventivamente e depois solto com tornozeleira). O documento foi considerado ilegal por violar regras de foro por prerrogativa de função, sem autorização judicial para investigar autoridades.

Nenhum tipo de sanção foi aplicado a Rodrigues.Mendonça, ao assumir a relatoria, retirou restrições impostas anteriormente, devolvendo autonomia à PF para perícias em cerca de 100 dispositivos eletrônicos (incluindo celulares, laptops e HDs), mas manteve o sigilo elevado. Hoje, 23 de fevereiro de 2026, está prevista uma reunião dele com investigadores para discutir o andamento, possivelmente com entrega de um relatório inicial, embora não esteja claro se incluirá os dados dos celulares.

Vorcaro negou fornecer senhas de alguns aparelhos para proteger informações pessoais, e parte do conteúdo de seu celular foi acessada via quebra de criptografia. As mensagens contêm referências sensíveis a encontros, diálogos no Palácio do Planalto e outros elementos, mas nada foi oficialmente compartilhado com a Corte até o momento. 


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