Relatório da PF revela pagamentos de Vorcaro a jornalista e negociação para acordo com portal de esquerda

Mensagens interceptadas mostram repasses ao site O Bastidor e proposta de R$ 50 mil mensais ao DCM para evitar matérias negativas sobre o Banco Master
Por: Brado Jornal 05.mar.2026 às 09h11
Relatório da PF revela pagamentos de Vorcaro a jornalista e negociação para acordo com portal de esquerda
Reprodução
Documentos anexados ao inquérito da Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, indicam que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, realizou transferências financeiras para o jornalista Diego Escosteguy, proprietário do portal O Bastidor. As conversas apreendidas revelam discussões sobre depósitos, com Escosteguy compartilhando dados bancários de uma conta ligada à Dez Comunicação e Tecnologia.

Em uma troca de 19 de setembro de 2025, o jornalista cobrou o segundo pagamento pendente, recebendo resposta imediata de Vorcaro prometendo verificar. Outra mensagem, de 14 de novembro, envolveu envio de informações bancárias, com o empresário respondendo de forma descontraída. Planilhas citadas no relatório associam um valor de R$ 2 milhões ao nome de Escosteguy.

Procurado pelo jornal O Globo, Escosteguy explicou que os valores referiam-se a contratos regulares de publicidade e patrocínio, comuns na mídia, sem qualquer influência na independência editorial do site. Ele negou interferências externas em suas reportagens.As investigações também apontam para tentativas de Vorcaro de firmar um acordo mensal de R$ 50 mil com o Diário do Centro do Mundo (DCM), veículo alinhado à esquerda e favorável ao governo Lula (PT). A proposta, intermediada por Felipe Mourão, chefe de segurança do empresário, preso em fevereiro de 2026 e que veio a falecer na cela após tentativa de suicídio, visava impedir a veiculação de conteúdos desfavoráveis ao banqueiro e ao Banco Master.

Mensagens mostram Vorcaro orientando foco na “parceria” após matérias críticas, autorizando a oferta de R$ 50 mil e expressando frustração quando novas publicações negativas surgiram.
Em um diálogo, ele mencionou dividir recursos entre “a turma”, incluindo o DCM e editores específicos, com repasses mensais para influenciar a cobertura.

O DCM negou em nota qualquer recebimento de valores ou benefícios de investigados, afirmando não ter relação com os fatos apurados.

As trocas de mensagens contribuíram para a terceira fase da operação, que resultou na prisão de Vorcaro em novembro de 2025 no aeroporto de Guarulhos, quando tentava viajar para Dubai. A PF investiga suspeitas de vazamento de informações sigilosas do inquérito, acesso indevido a sistemas de instituições como PF, MPF e FBI, além de intimidações contra adversários.

Vorcaro, que nega irregularidades, afirmou em depoimento que viagens e contatos com jornalistas eram normais para negócios e que não recorda acesso a documentos sigilosos. O caso tramita no STF sob relatoria do ministro André Mendonça, que autorizou as medidas cautelares com base nos indícios de estrutura organizada para obstruir justiça e praticar delitos financeiros. 


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