Tenente-coronel da PM-SP é aposentado mesmo preso por assassinato

Oficial acusado de matar a esposa em São Paulo receberá proventos integrais na reserva, apesar de responder a processo de expulsão da corporação
Por: Brado Redação 02.abr.2026 às 16h47 - Atualizado: 02.abr.2026 às 16h55
Tenente-coronel da PM-SP é aposentado mesmo preso por assassinato
Foto: Reprodução

A Polícia Militar de São Paulo publicou nesta quinta-feira (2) a portaria que coloca o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto na reserva remunerada. O oficial está preso preventivamente, acusado de feminicídio pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, e também de fraude processual.

De acordo com a portaria assinada pela Diretoria de Pessoal da PM, Geraldo Neto tem direito à aposentadoria com base nos critérios proporcionais de idade, mantendo vencimentos integrais. Seu último salário bruto, registrado em fevereiro de 2026 antes da prisão, foi de R$ 28,9 mil. Com os cálculos proporcionais pela idade de 53 anos, os proventos devem ficar em torno de R$ 21 mil mensais.

O pedido de passagem para a inatividade foi feito pelo próprio tenente-coronel à corporação. A PM informou que a aposentadoria não impede o andamento do processo de expulsão aberto pela Corregedoria contra o oficial.

Fontes consultadas afirmam que, mesmo após a transferência para a reserva, o militar pode perder a patente, mas mantém o direito aos proventos conquistados por tempo de serviço.

A Secretaria da Segurança Pública autorizou, a pedido do Comando da PM, a abertura de um conselho de justificação que pode resultar na demissão do tenente-coronel, com perda do posto e da patente. A tramitação do conselho continua mesmo após a ida para a reserva.

O inquérito policial militar que investiga a morte da soldado Gisele Alves Santana está na fase final e será encaminhado à Justiça. O oficial permanece preso por decisão judicial. O inquérito da Polícia Civil já foi concluído e enviado ao Judiciário com pedido de prisão, que já foi cumprido.

O advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Júnior, criticou a rapidez com que o pedido de aposentadoria foi processado. Segundo ele, o benefício foi concedido em menos de sete dias após o pedido, o que chamou atenção da defesa.

“Causou estranheza a celeridade da corporação em aposentá-lo. Policiais comuns, especialmente praças, costumam esperar pelo menos 60 dias ou precisam recorrer à Justiça para obter o mesmo benefício”, afirmou o criminalista.

O advogado disse ainda que a aposentadoria não impedirá o conselho de justificação que deve levar à demissão do oficial. No entanto, ele considerou injusto que o tenente-coronel continue recebendo recursos públicos após ser acusado de um crime tão grave.

“Não é justo que alguém acusado de um crime bárbaro continue sendo pago com o dinheiro da população, inclusive dos pais de Gisele, que pagam impostos”, declarou.



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