“Moro passou a achar que era o dono do ministério”, diz Bolsonaro

Bolsonaro disse que acreditava que a “PF podia agir melhor” do que estava sob a gestão Moro e reforçou que a indicação é do presidente, mas Moro não aceitava.
Por: Brado Jornal 11.jan.2022 às 06h15
“Moro passou a achar que era o dono do ministério”, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a alfinetar o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro (Podemos), potencial adversário na eleição presidencial deste ano. O mandatário brasileiro afirmou que o ex-ministro achava que “era o dono do Ministério” e voltou a dizer que o ex-auxiliar tentou barganhar a troca do então diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo, por uma indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro disse que acreditava que a “PF podia agir melhor” do que estava sob a gestão Moro e reforçou que a indicação é do presidente, mas Moro não aceitava.

“A questão da Polícia Federal eu achava que tinha que ser dessa maneira. Outras questões foram aparecendo ao longo do meio do caminho e ele não admitia isso daí, era tudo dele. No início do governo, ele colocou lá num conselho uma senhorita de nome Ilona Szabó, que quando eu vi eu falei: Essa senhora aqui não tem nada com o que a gente defende, as posições dela são bastante progressistas. Não interessa se essa pessoa não assumir. ‘Ah, a gente precisa, para ter um contraponto’. Falei: Moro, contraponto já tem a imprensa. Não tem que colocar gente lá para dar pancada em você, para pegar o que acontece lá e jogar na imprensa. Levei três dias para demitir essa mulher. Ele passou a achar que era o dono do ministério”, afirmou Bolsonaro em entrevista à Jovem Pan gravada na semana passada e exibida nesta segunda-feira (10/1).

Em março de 2019, Szabó foi convidada pelo então ministro Sergio Moro para integrar, como suplente, o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. O nome dela foi vetado por Bolsonaro por posições divergentes do governo com relação a temas como armamento e políticas de drogas.

“Inclusive, na véspera da demissão, quando ele [Moro] esteve comigo, ele disse que aceitava mandar embora o diretor-geral [da PF] só em setembro, quando eu o indicasse ao Supremo. Que petulância. Eu confesso que acreditei desde o começo, como muitos acreditaram. Ele foi do meu governo para fazer trabalho sério, para se blindar ou para se preparar para ser candidato a presidente da República. Tem três alternativas. Não deu certo. Tirei ele fora”, acrescentou.

Após o episódio envolvendo a troca do diretor-geral da PF, Moro deixou o governo, em abril de 2020, e acusou o presidente de interferência política na corporação.

Bolsonaro comentou um discurso de Moro na última semana e destacou que o ex-ministro e agora possível adversário eleitoral só falou “o óbvio”. O chefe do Executivo federal ainda cobrou a abordagem de outros temas, além de corrupção.

“Ele, candidato, se o povo acreditar nele, não compete a mim. Vi ele discursando para grupo seleto em lugar fechado. E o que ele fala ali é o óbvio. Eu não vi ele falar sobre armamento, ideologia de gênero, aborto, livre mercado, respeito à Constituição, possíveis críticas a um ou outro ministro do Supremo, do TCU [Tribunal de Contas da União] ou do STJ [Superior Tribunal de Justiça]. Nada aparece ali. ‘Nós temos que combater milicianos, não sei o que…’ Só corrupção. Quem tirou o Lula da cadeia não fui eu, foi o STF”, disse.



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