‘Mercadante quer reproduzir o passado’, diz ex-presidente do BNDES

Segundo o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, banco estatal precisa investir onde há demanda
Por: Brado Jornal 07.fev.2023 às 12h58
‘Mercadante quer reproduzir o passado’, diz ex-presidente do BNDES

 O economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, que presidiu o Bando Nacional de  Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e foi ministro das Comunicações no governo de Fernando Henrique Cardoso, criticou a forma como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o novo presidente do banco, Aloizio Nunes, pretendem conduzir a política de desenvolvimento da estatal.

Em entrevista ao jornal O Globo, Barros disse que Mercadante e Lula estão focados no passado. “O que parece é que o Mercadante quer reproduzir o passado. Na cabeça do Lula existe um BNDES velho. São novos tempos e o banco precisa refletir isso”, declarou, ao ser questionado sobre as propostas de Mercadante para o banco, no discurso de posse, na segunda-feira 6.

“O banco tem um papel de desenvolvimento do país. Mas precisa ser moderno. Focar naquilo em que há demanda. Não adianta dizer que precisa promover a reindustrialização. Hoje a indústria representa pouco mais de 10% do PIB no Brasil e no mundo. O setor de serviços domina. Mas o banco precisa ter uma visão mais nova”, declarou para O Globo.

Além da industrialização, Mercadante, acompanhando declarações anteriores de Lula, disse que o banco deve investir no desenvolvimento regional, em referência a projetos em países da América Latina, como Lula e a ex-presidente petista Dilma Roussef fizeram em governos anteriores. Até 2016, US$ 11 bilhões foram investidos em obras em outros países, sendo a maior parte nos governos Lula e Dilma e em países governados pela esquerda.

Sobre as obras no exterior, Barros disse que o metrô de Caracas, na Venezuela, e do Porto Mariel, em Cuba, ficaram paradas na gestão FH por oito anos.” O motivo é: não havia crédito e a operação nunca foi aprovada pelo corpo técnico É preciso definir a capacidade de crédito do banco”, afirmou. Essas obras foram financiadas pelo BNDES nos governos petistas e as ditaduras comunistas deram calote no Brasil.

Para Barros, outro problema das obras no exterior é a inexistência de construtores para fazer essas grandes obras. “Quem vai construir aquele gasoduto na Argentina que o presidente Lula prometeu? Não temos mais empresas grandes de engenharia…”

Sobre o financiamento de pequenas empresas, o ex-presidente do BNDES disse que a estatal, por não ter agências, não tem condições de alcançar pequenos empreendedores. “É diferente do Banco do Brasil, que tem uma capilaridade por todo o país. O BNDES tem um corpo técnico excelente e poderia pensar numa parceria com o BB para chegar a esse público”, sugeriu.



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