Lewandowski libera nomeação de políticos nas estatais

Ministro atendeu a pedido de partido aliado do governo Lula
Por: Brado Jornal 17.mar.2023 às 16h14
Lewandowski libera nomeação de políticos nas estatais
Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido do PCdoB, partido aliado do governo Lula, e declarou, liminarmente, a inconstitucionalidade de dois artigos da Lei das Estatais que restringiam a nomeação de políticos para companhias públicas.

Um deles impedia a nomeação de ministros, deputados, senadores e secretários estaduais para cargos nos conselhos de administração e diretorias das estatais; o outro estabelecia prazo de 36 meses para que houvesse participado de campanha ou de estrutura decisória de partido.

A lei está em vigor desde 2016, e agora, sete anos depois, o ministro, que está prestes a se aposentar, considerou urgente analisar a constitucionalidade e nem pôde esperar o julgamento em plenário, por todos os ministros, que ocorreria em breve. A ação do PCdoB estava em julgamento no plenário virtual, mas, com o pedido de vistas do ministro André Mendonça, a análise foi suspensa, e a presidente do STF, Rosa Weber, deveria incluí-lo para ser julgado presencialmente.

Porém, Lewandowski afirmou que havia pressa, porque as estatais têm data-limite até 30 de abril para realizar assembleias-gerais e, antes disso, até 30 de março, devem “apresentar as informações referentes às eleições dos administradores e dos conselheiros”.

Em sua decisão, que repete trechos do voto favorável à ação do PCdoB, o ministro também cita os pareceres da Advocacia-Geral da União (AGU) e do procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras, que havia se manifestado contrariamente à ação, mas mudou de opinião cinco dias depois.

Lewandowski entende que os artigos da Lei das Estatais são inconstitucionais, porque “acabaram por estabelecer discriminações desarrazoadas e desproporcionais — por isso mesmo inconstitucionais — contra aqueles que atuam, legitimamente, na esfera governamental ou partidária”.

“Para começar, elas violam frontalmente o princípio da isonomia e o preceito — basilar numa democracia — segundo o qual ninguém pode ser privado de direitos por motivo de convicção política”, alegou. Sobre a quarentena de 36 meses para quem tenha integrado estrutura decisória de partido político ou participado em campanha eleitoral, ele disse que “tal prazo se mostra completamente desarrazoado, carecendo, ademais, de adequado fundamento na realidade fática”.

A Lei das Estatais foi aprovada no Congresso justamente para vedar indicações de políticos, o que havia se mostrado desastroso nos governos anteriores, já que companhias públicas foram os principais cenários do imenso esquema de propinas e desvio de recursos públicos investigados pela Lava Jato.

Lewandowski até mencionou a “boa intenção” do legislador, mas, segundo ele, incompatível com a Constituição. “Contudo, não obstante os bem-intencionados propósitos do legislador nesse aspecto, a Lei das Estatais, ao que tudo indica, foi muito além das limitações já positivadas no ordenamento jurídico”.

Em seu primeiro parecer, Aras havia defendido o princípio da autocontenção do Judiciário, de não interferir em decisões do Congresso sem evidente inconstitucionalidade. Mas, no segundo parecer, entendeu que “direitos fundamentais” estavam ameaçados pela norma.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
João Roma critica enganos em obras viárias na Bahia
Pré-candidato a senador denuncia promessas falsas de duplicação rodoviária e paralisia na Ferrovia de Integração Oeste-Leste
Lula teve câncer de pele no couro cabeludo e já foi operado
Presidente passou por cirurgia para retirada de tumor benigno e recebeu alta no mesmo dia
Trump libera primeiro visto ‘cartão ouro’ de US$ 1 milhão
Secretário de Comércio confirma apenas uma aprovação até o momento enquanto centenas de pedidos seguem em análise no programa para investidores estrangeiros
PF conclui que Sicário do caso Master cometeu suicídio
Investigação da Polícia Federal descarta pressão externa na morte de Luiz Phillipi Mourão na prisão de Minas Gerais
ACM Neto fecha apoio de Junior Marabá para governo do Estado
O prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Junior Marabá (PP), fechou apoio ao pré-candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) durante visita do ex-prefeito ao município, nesta sexta-feira (24).
PT mira aliança com liberais no 8º congresso nacional
Partido discute tática eleitoral para 2026 e abre portas para setores liberais contra direita
Carregando..