STF analisa suspensão parcial de ação contra Alexandre Ramagem

Por: Brado Jornal 09.mai.2025 às 14h23
STF analisa suspensão parcial de ação contra Alexandre Ramagem

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento sobre a suspensão parcial da ação penal contra o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), acusado de tentativa de golpe de Estado. Em seu voto, proferido na sexta-feira (9.mai.2025), o ministro Alexandre de Moraes defendeu que Ramagem deixe de responder por crimes cometidos entre a diplomação, em dezembro de 2022, e o término de seu mandato, mas permaneça réu por outros delitos.

Moraes propôs a suspensão das acusações referentes a dois crimes: dano qualificado com violência e grave ameaça ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. Contudo, o parlamentar continuaria respondendo por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito e golpe de Estado. Ele destacou que a Constituição permite a suspensão de ações penais contra parlamentares apenas para crimes cometidos após a diplomação, rejeitando a decisão da Câmara dos Deputados, que aprovou a interrupção total do processo na quarta-feira (7.mai.2025).

O julgamento, conduzido pela 1ª Turma do STF, conta com os votos pendentes dos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux. A análise ocorre em sessão virtual, com prazo até terça-feira (13.mai.2025). A questão foi levantada após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), enviar um ofício ao STF informando a decisão da Casa.

Anteriormente, em abril, o ministro Zanin já havia se manifestado contra a suspensão total da ação, argumentando que apenas crimes pós-diplomação poderiam ser interrompidos. Moraes reforçou que a suspensão se aplica exclusivamente a Ramagem, devido ao caráter “personalíssimo” da imunidade parlamentar, não beneficiando outros réus da mesma ação, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A Procuradoria Geral da República (PGR) aponta um “núcleo crucial” de acusados na organização criminosa, incluindo, além de Ramagem e Bolsonaro, nomes como Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno (ex-ministro do GSI), Mauro Cid (ex-ajudante de ordens), Almir Garnier (ex-comandante da Marinha), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) e Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil).

Uma interpretação do relatório do deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) sugeriu que a suspensão poderia alcançar todos os réus, mas Moraes esclareceu que a imunidade não se estende a corréus não parlamentares ou a crimes anteriores à diplomação. Assim, os demais acusados seguem respondendo integralmente pelos delitos listados na denúncia.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Prazo final para informe de rendimentos do IRPF 2026 termina nesta sexta
Empresas e fontes pagadoras têm até 27 de fevereiro para fornecer o documento essencial à declaração anual.
Ministro do STF alerta contra tentações financeiras em cargos públicos
André Mendonça prega na Igreja Presbiteriana de Pinheiros e destaca a importância de resistir à cobiça e à vaidade no exercício do poder
PEC do IPVA ganha 224 assinaturas e avança rápido na Câmara
Proposta de Kim Kataguiri prevê redução do imposto por peso do veículo, alíquota máxima de 1% e compensações fiscais que superam perda de R$ 38 bi; expectativa é de impacto positivo na inflação e benefício a motoristas e setor automotivo.
Câmara aprova projeto “antifacção” e envia para sanção de Lula
Medida aumenta penas para crimes de organizações criminosas e milícias; texto define “domínio social estruturado” com até 40 anos de reclusão, mas rejeita taxação de bets e outras mudanças do Senado.
CPI do Crime Organizado no Senado decide não avançar com quebra de sigilo do escritório da esposa de Alexandre de Moraes
Parecer da Advocacia do Senado apontou inviabilidade jurídica e evitou confronto institucional com o STF; requerimentos de senadores da oposição foram arquivados sem votação
MPRJ reabre investigação contra Carlos Bolsonaro por suspeita de rachadinha
Procuradoria-Geral de Justiça considera arquivamento de 2024 prematuro e determina novas diligências para apurar desvios de R$ 1,9 milhão no gabinete do ex-vereador; foco em movimentações financeiras suspeitas e funcionários fantasmas.
Carregando..