Teleférico do Subúrbio: nova solução de mobilidade para Salvador

Projeto promete conectar bairros, reduzir tempo de deslocamento e gerar empregos
Por: Brado Jornal 13.ago.2025 às 07h29
Teleférico do Subúrbio: nova solução de mobilidade para Salvador
Crédito: Divulgação
A mobilidade urbana de Salvador ganhará um reforço significativo com a construção do teleférico do Subúrbio, um projeto que promete conectar os bairros de Praia Grande e Campinas de Pirajá em um trajeto de 4,3 quilômetros. Com previsão de início das obras no primeiro semestre de 2026 e conclusão em três anos, o empreendimento é uma aposta da Prefeitura de Salvador para melhorar o transporte público e reduzir o tempo de deslocamento dos moradores da região, que hoje enfrentam trajetos de até 1h30 para chegar à estação de metrô de Águas Claras. O novo modal deve cortar esse tempo para apenas 18 minutos.

Detalhes do projeto e sua execução

O teleférico contará com quatro estações localizadas em Campinas de Pirajá (próxima à estação do metrô), centro de Pirajá, Rio Sena (integrada ao Projeto Mané Dendê) e Praia Grande. Serão construídas 27 torres, algumas alcançando até 45 metros de altura, com cabines panorâmicas que oferecerão vistas da Baía de Todos-os-Santos. O sistema funcionará todos os dias da semana, com tarifa integrada ao modelo atual de transporte público. “É uma economia de tempo que o passageiro vai ter. Quem mora no Subúrbio e quer vir ao Centro da cidade. Hoje, o morador faz um retorno grande pela BA-528, que é uma via de tráfego intenso”, explica Tânia Scofield, presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF).

A FMLF, responsável pela elaboração do projeto, deve entregá-lo à Superintendência de Obras Públicas (Sucop) até o final deste mês. Estudos complementares estão em fase de finalização, com prazo de dois meses. A gestão do teleférico será feita por uma empresa privada, semelhante à concessão do Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas, administrado pelo Grupo CCR. “É muito difícil para a prefeitura e para o estado fazer a gestão desses modais”, destaca Tânia.

O projeto, financiado em parceria com o banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), conta com um contrato de US$ 125 milhões (cerca de R$ 900 milhões) assinado em abril de 2025. O prefeito Bruno Reis enfatizou a relevância do empreendimento: “Agora, vamos poder construir o primeiro teleférico de Salvador, uma obra importantíssima em mobilidade para regiões carentes da cidade”. O orçamento final será definido pela Sucop em até três meses, após a conclusão do projeto técnico.

Impactos sociais e econômicos

Além de melhorar a mobilidade, o teleférico deve gerar empregos em duas fases: durante a construção das 27 torres e na operação do sistema. “São muitas vagas de emprego. São 27 torres a serem construídas. Eu digo que tem dois períodos de geração de empregos: o período de obra e depois o funcionamento do equipamento”, afirma Tânia.

Para viabilizar a obra, algumas famílias serão realocadas temporariamente, com a possibilidade de retorno às suas residências após a conclusão, já que a manutenção do teleférico é aérea. “Eu posso construir uma torre onde fica uma casa, mas posso reconstruí-la depois porque toda manutenção do teleférico é aérea. Então, depois da implantação da torre, tudo pode ser reconstruído”, explica Tânia. A prefeitura oferecerá apoio e orientações aos moradores impactados.

A comunicação com as comunidades locais também é uma prioridade. “Nós temos que fazer um trabalho grande na área social, entendendo que a população de Salvador que vai ser beneficiada com o teleférico não conhece o equipamento. A gente precisa fazer essa comunicação, fazer reuniões com as comunidades que serão diretamente beneficiadas”, destaca a presidente da FMLF.

Inspiração internacional

O projeto foi inspirado em experiências bem-sucedidas de teleféricos urbanos em Medellín, na Colômbia, e na Cidade do México. Viagens realizadas em 2019 e 2022 permitiram à equipe da FMLF estudar esses modelos. Em Medellín, o MetroCable, construído em 2005, conecta o centro da cidade às comunidades periféricas, promovendo inclusão social. “Medellín percebeu que o transporte público era forma de inclusão social. Encontrávamos longas distâncias entre as populações do norte (parte mais pobre) e do sul da cidade. Elas levavam muito tempo nas viagens e, como o serviço era muito ruim, percebemos que afetava a qualidade de vida”, afirmou Pablo Guzmán, ex-subdiretor de Relações Locais e Internacionais da Agência de Cooperação e Investimento de Medellín, em conferência no Brasil em 2015.

Com capacidade estimada para transportar cerca de quatro mil pessoas por hora em ambos os sentidos, o teleférico do Subúrbio promete ser um marco na mobilidade de Salvador, combinando eficiência, inclusão social e inovação urbana.


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