Em Cuiabá, Mato Grosso, a jornalista Angélica Gomes, da TV Record, foi vítima de uma agressão violenta na noite de 26 de agosto de 2025, enquanto cobria um acidente de trânsito na Avenida Miguel Sutil. O agressor, identificado como Jeferson Santana Vieira, um policial militar aposentado de 48 anos, causou o acidente que envolveu três veículos e, em seguida, atacou a repórter e sua equipe.
Durante a gravação de uma passagem para o programa "Balanço Geral", Angélica narrava os detalhes do ocorrido quando o policial, visivelmente alterado, se aproximou. Ele derrubou a câmera do cinegrafista João Pascoal de Oliveira, danificando o equipamento, e desferiu um soco no rosto da jornalista, atingindo sua mandíbula. “Ei, cê tá louco?”, gritou Angélica ao ser atacada. O repórter Edvaldo Carvalho também foi ameaçado pelo agressor, que, segundo testemunhas, afirmou que, se estivesse armado, “mataria todos ali presentes”.
O incidente teve início quando Jeferson, conduzindo um Fiat Argo branco, colidiu intencionalmente três vezes contra a traseira de um Ford Ka dirigido por uma mulher. Ao tentar fugir, ele atropelou um motociclista, que sofreu ferimentos graves e foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). A Polícia Militar localizou o agressor a cerca de 25 metros do local do acidente, com as mãos na cabeça, apresentando comportamento desorientado e falas desconexas. Ele chegou a expressar intenções suicidas durante a abordagem.
Angélica relatou o episódio em suas redes sociais, destacando a gravidade da violência sofrida: “Ele veio para cima da equipe, bateu na câmera, quebrando a câmera e, logo em seguida, deu um soco no meu rosto, onde acertou minha mandíbula. A situação foi controlada, mas estou indo para a delegacia agora registrar boletim e depois fazer corpo de delito, pois vou representar contra esse policial.” A jornalista também solicitou um exame toxicológico do agressor, já que o teste do bafômetro deu negativo para consumo de álcool, mas ele apresentava sinais de alteração.
O policial foi preso em flagrante e conduzido à Central de Flagrantes do Cisc Verdão. Em audiência, a juíza da 12ª Vara Criminal, Helícia Vitti Lourenço, converteu a prisão em preventiva e determinou a realização de exames médicos, após Jeferson alegar sofrer de esquizofrenia e não se lembrar do acidente ou da agressão. Em depoimento à Polícia Civil, ele afirmou: “Eu não me lembro. Realmente, minha mente deve ter apagado. Eu só sei que estava indo e, quando vi, tinha um motoqueiro na frente. Eu puxei o carro e vi o motoqueiro. Depois eu saí e vi a moto enganchada lá no carro.”
A TV Record emitiu uma nota oficial repudiando a agressão: “Este incidente destaca preocupações sobre comportamentos violentos por parte daqueles encarregados da segurança pública e reforça a importância da proteção dos profissionais da imprensa durante seu trabalho diário. A comunidade expressa solidariedade à repórter agredida neste lamentável evento.” O Consórcio de Imprensa de Mato Grosso também classificou o ataque como “covarde e inaceitável”, destacando que a violência contra a repórter, por ser mulher, “agrava ainda mais a gravidade do ato”.
O caso gerou indignação entre colegas de profissão e entidades de classe, com manifestações de apoio à jornalista. O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) cobrou punição rigorosa: “É dever do Estado e da Secretaria de Segurança Pública apurar rigorosamente esse ato absurdo e punir a agressão com o rigor necessário.” A Polícia Civil de Mato Grosso segue investigando o caso.
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