Com o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus marcado para terça-feira (2.set.2025) na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), às 9h, por suposta conspiração golpista, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antecipa possíveis novas sanções dos Estados Unidos caso o ex-presidente seja condenado. Embora autoridades brasileiras neguem uma ligação direta entre o julgamento e a decisão de quinta-feira (28.ago.2025) de iniciar o processo para aplicar a Lei de Reciprocidade contra as tarifas de 50% impostas por Donald Trump, o Planalto reconhece que a medida visa garantir proteção jurídica para uma resposta política a eventuais escaladas americanas.
O processo para implementação da Lei de Reciprocidade pode levar de seis meses a um ano, justificando a antecipação do governo brasileiro. A legislação também permite uma reação imediata, como a imposição de tarifas sobre bens dos EUA, caso o conflito se intensifique. Na sexta-feira (29.ago.2025), a Embaixada do Brasil em Washington notificou o Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre o início desse procedimento, reiterando a disposição para o diálogo, embora sem expectativas de que os EUA recuem.
Desde 9 de julho, Trump tem vinculado as sanções à situação judicial de Bolsonaro, seu aliado político, acusando o Brasil de perseguição política. Além das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, os EUA cancelaram vistos de autoridades judiciais e aplicaram sanções ao ministro do STF Alexandre de Moraes sob a Lei Magnitsky. Aliados de Bolsonaro preveem que, em caso de condenação, os EUA podem estender essas sanções à esposa de Moraes e a outros ministros do Supremo. No Planalto, a percepção é de que o foco de Washington no julgamento de Bolsonaro manterá as tensões bilaterais até as eleições de 2026.
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