Levantamento do Pcc sobre rotina de promotor e chefe de presídios coincide com presença de carro suspeito na morte de ex-delegado

Investigação policial desmantela trama do crime organizado contra autoridades em São Paulo
Por: Brado Jornal 24.out.2025 às 09h39
Levantamento do Pcc sobre rotina de promotor e chefe de presídios coincide com presença de carro suspeito na morte de ex-delegado
Foto: Montagem/g1/Reprodução/TV Globo
Ação conjunta entre Ministério Público e Polícia Civil de São Paulo executa 25 mandados de busca contra envolvidos em esquema de atentados orquestrado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), que visava eliminar o promotor Lincoln Gakiya e o coordenador de unidades prisionais da região Oeste, Roberto Medina. Essa iniciativa, batizada de Operação Recon, expôs um monitoramento detalhado das vidas das vítimas, com fotos, vídeos e áudios que revelam a preparação meticulosa para os crimes. As apurações, iniciadas em julho após a captura de um traficante, identificaram uma rede fragmentada, onde cada membro atuava em setor isolado para evitar detecção, conforme nota oficial do MPSP.

Relatórios de inteligência e materiais confiscados em cadeias do interior paulista, datados do mês anterior, apontam discussões internas na facção sobre vinganças contra figuras que historicamente combateram seus líderes. Esses papéis sugerem ligações potenciais entre as estratégias de ataque a esses servidores públicos e o homicídio do ex-comandante da Polícia Civil paulista, Ruy Ferraz Fontes, ocorrido em 15 de setembro na orla de Praia Grande. O secretário de Segurança Pública do estado, Guilherme Derrite, mencionou publicamente a chance de envolvimento de um alto escalão do PCC nesse episódio, sem excluir conexões mais amplas.

O programa Fantástico, exibido pela TV Globo, divulgou gravações exclusivas de câmeras de vigilância na Praia Grande, rede com mais de 3 mil equipamentos, que flagraram os movimentos de um automóvel Logan branco circulando pela localidade desde julho. O carro aparecia regularmente nos dias úteis, alinhando-se aos horários em que Ferraz atuava como titular da pasta administrativa na administração municipal, indicando um possível reconhecimento prévio do itinerário da vítima. Autoridades acreditam que o mesmo veículo teria servido para a evasão dos atores após o disparo fatal.

Lincoln Gakiya, de 58 anos, acumula duas décadas de confrontos diretos com o PCC, o que o transformou em alvo recorrente de tramas assassinas esta é a quinta frustrada só neste ano, incluindo tentativas frustradas em 2019, quando lideranças foram realocadas para federais, impactando as operações logísticas da organização. Sob proteção constante de equipes especializadas da PM há mais de uma década, o promotor já expressou em entrevistas a consideração por asilo político na aposentadoria, especialmente após o caso de Ferraz. "Roberto Medina [coordenador de presídios, também alvo de plano de execução]", disse em entrevista ao canal Globo News. Gakiya relatou que as investigações prosseguiram e foram feitas outras prisões e foi constatado que um outro grupo do PCC era responsável por fazer o levantamento da rotina dele desde junho.

A Procuradoria-Geral de Justiça emitiu comunicado de respaldo total às vítimas e a todos os agentes expostos pelo cumprimento de deveres, destacando o caráter mafioso da facção em intimidar opositores. Medina, responsável por penitenciárias chave no Oeste paulista onde se concentram chefes do grupo, também figura em listas antigas de retaliações, com os criminosos chegando a registrar o automóvel de sua esposa em ações de prospecção.

A linha de investigação ganhou impulso com a detenção em flagrante de Vitor Hugo da Silva, apelidado VH, por comércio de entorpecentes. No aparelho celular tomado, surgiram evidências de sua role na conspiração contra Medina, incluindo um registro exaustivo de deslocamentos diários do coordenador desde a residência até o emprego, ilustrado por capturas fotográficas e filmagens. Em mensagens de voz, os envolvidos externavam receios quanto a registros visuais próximos à moradia do alvo.

Essa pista levou à localização de Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, conhecido como Corinthinha e filiado ao PCC, capturado durante as diligências. Morador de Martinópolis, ele havia locado uma propriedade rural a 53 km dali, em Presidente Bernardes, sob pretexto de se esconder de uma ameaça letal de um agente da lei. Contudo, peritos sustentam que a presença visava unicamente o acompanhamento ostensivo de Medina, por determinação da cúpula criminosa.

Outro elo na cadeia foi Sérgio Garcia da Silva, o Messi, detido em 26 de setembro por distribuição de drogas. Oculto sob um colchão em sua casa, um telefone continha diálogos que o ligam diretamente aos esquemas contra Medina e Gakiya, além de capturas de tela delineando o percurso habitual do promotor entre lar e fórum. Apurações adicionais constataram que o bando havia arrendado imóvel a menos de 1 km do conjunto residencial de Gakiya, usado como base para encontros e disseminação de substâncias ilícitas, conforme imagens captadas por drone.

Os 25 mandados de busca e apreensão foram alocados em sete municípios: Presidente Prudente (11), Álvares Machado (6), Martinópolis (2), Pirapozinho (2), Presidente Venceslau (2), Presidente Bernardes (1) e Santo Anastácio (1). Além disso, a Justiça autorizou a violação de comunicações telefônicas e digitais dos investigados, visando mapear ramificações do complô e eventuais cúmplices remotos. A facção teria centralizado as diretrizes de punição em Fernando Gonçalves dos Santos, vulgo “Azul” ou “Colorido”, liberado da unidade federal em Mossoró (RN) no início de agosto e apontado como executor-chefe de narcotráfico na Baixada Santista.

Embora as forças de segurança neguem por ora nexos diretos entre essa rede e o abate de Ferraz, um padrão temporal intriga os peritos: o escrutínio sobre Medina e Gakiya iniciou-se em julho, coincidindo com o rastro deixado pelos algozes do ex-delegado no litoral. Materiais periciados prometem esclarecer se há uma "sintonia restrita" termo interno do PCC para esquadrões de elite em missões de alto risco unificando essas ameaças. Gakiya, em declaração recente, alertou que o grupo opera como uma estrutura mafiosa, eliminando dissidentes para semear o pavor entre autoridades.


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