Trump parabeniza Lula e destaca encontro positivo na Malásia, sem certeza sobre pacto bilateral

Otimismo em negociações comerciais apesar de tarifas elevadas
Por: Brado Jornal 27.out.2025 às 09h48
Trump parabeniza Lula e destaca encontro positivo na Malásia, sem certeza sobre pacto bilateral
Ricardo Stuckert / PR
O presidente norte-americano Donald Trump expressou novamente admiração pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira (27/10), ao desejar parabéns pelo aniversário de 80 anos completados hoje. Antes de partir rumo ao Japão a bordo do Air Force One, saindo de Kuala Lumpur, Trump descreveu o diálogo mantido com Lula no dia anterior como "muito boa" e surpreendente, enfatizando a vitalidade do líder brasileiro. O encontro, que ocorreu à margem da cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), representou o primeiro contato oficial entre os dois chefes de Estado desde um breve aceno na Assembleia Geral da ONU, em setembro.

Durante a conversa de cerca de 45 a 50 minutos, os líderes abordaram principalmente a agenda comercial e econômica, incluindo o polêmico "tarifaço" de 50% imposto pelos EUA sobre exportações brasileiras, além de sanções a autoridades do país relacionadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Trump, ao comentar com jornalistas, evitou compromissos firmes sobre um possível entendimento. "Vamos ver o que acontece. Não sei se alguma coisa vai acontecer, mas veremos. Eles gostariam de fazer um acordo. Vamos ver, agora mesmo eles estão pagando 50% de tarifa", afirmou o republicano.

Do lado brasileiro, o otimismo prevaleceu. Em entrevista coletiva na madrugada de segunda-feira (horário de Brasília), Lula celebrou o resultado e projetou avanços rápidos. "Ele garantiu que vamos ter acordo e acho que vai ser mais rápido do que muita gente pensa. Estou convencido de que em poucos dias teremos uma solução definitiva entre Estados Unidos e Brasil para que a vida siga boa e alegre como dizia Gonzaguinha na sua música", declarou o presidente, citando o cantor para ilustrar a perspectiva positiva. Lula também destacou a quebra de gelo inicial, usando a proximidade de idades ele com 80 anos e Trump com 79 para facilitar o diálogo, e reforçou que diferenças ideológicas não devem impedir benefícios mútuos. “Agora não tem mais intermediários, é o presidente Lula com o presidente Trump. Gostemos ou não um do outro, nós temos que assumir a responsabilidade como chefes de Estado de saber que nossas ações têm que trazer benefício para o povo que nos elegeu”, frisou.

As equipes técnicas dos dois países iniciaram, por determinação dos líderes, as primeiras rodadas de negociação ainda na segunda-feira na Malásia, sem alcançar consenso imediato. Participaram do lado americano o secretário do Tesouro Scott Bessent, o secretário de Estado Marco Rubio e o representante comercial Howard Lutnick. Pelo Brasil, o chanceler Mauro Vieira integrou as discussões. A Casa Branca, em postagem oficial nas redes sociais, tratou o encontro com entusiasmo, publicando uma foto dos presidentes e afirmando que foi "uma grande honra" se reunir com Lula, com os países "preparados para bons negócios".

Em um evento com empresários locais, Lula agradeceu o apoio e enfatizou o caráter improvável da reunião, dada a distância percorrida por ambos – 22 horas de voo cada um. "O presidente Trump teve que viajar 22h dos Estados Unidos para a Malásia, e eu tive que viajar 22 horas do Brasil para a Malásia. E nós conseguimos fazer uma reunião que parecia impossível do Brasil com os Estados Unidos aqui na Malásia", comemorou o brasileiro, se dizendo "feliz" com o avanço na abertura de uma reunião empresarial entre Malásia e Brasil. Ele também convidou Trump para compartilhar um "pedacinho de bolo" em celebração ao aniversário, gesto que reforçou o tom cordial.

A viagem de Lula ao Sudeste Asiático, incluindo paradas na Indonésia e Malásia, insere-se em uma estratégia de diversificação de rotas comerciais para o Brasil, em meio às tensões com Washington. Enquanto isso, Trump segue para Tóquio, onde deve se encontrar com o presidente chinês Xi Jinping no fim da semana, em meio a discussões sobre compras de soja americana por Pequim. No Brasil, o encontro gerou reações mistas: elogios da base governista por fortalecer laços bilaterais e ironias da oposição, especialmente quanto a menções de Trump a Bolsonaro durante a reunião aberta à imprensa comentário que Lula tratou como "passado".

Trump, por sua vez, não poupou elogios ao aniversariante. "Quero desejar feliz aniversário ao presidente, hoje é o aniversário dele. Ele é um cara muito vigoroso, na verdade, e foi muito impressionante”, disse o americano. Lula, em postagem nas redes, descreveu o diálogo como "franca e construtiva", reiterando que a relação entre Brasil e EUA é "vital para a democracia" e que céticos quanto à capacidade de seu governo em dialogar com os EUA "perderam".


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