Assessores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugerem que ele evite novas declarações pessoais sobre a Venezuela, especialmente aquelas que possam ser vistas como defesa a Nicolás Maduro, após a operação militar americana que resultou na captura do líder venezuelano em 3 de janeiro.
No Palácio do Planalto, prevalece a avaliação de que Lula já se posicionou suficientemente por meio da nota oficial divulgada no dia da ação dos Estados Unidos, e que o ideal agora é deixar o tema nas mãos da diplomacia, reduzindo a exposição pública do presidente.
As preocupações são dupla: no âmbito interno, impedir que o assunto polêmico seja usado pela oposição para prejudicar a imagem de Lula; no externo, preservar o avanço na relação com o governo de Donald Trump, especialmente após superações recentes de tensões envolvendo tarifas e sanções a autoridades brasileiras.
A estratégia governamental é coordenada principalmente pelos ministros Sidônio Palmeira, da Comunicação Social, e Mauro Vieira, das Relações Exteriores. Apesar do histórico de improvisos de Lula em falas à imprensa, espera-se que as respostas oficiais fiquem restritas ao canal diplomático, enfatizando a soberania nacional e o diálogo como solução para crises, sem críticas diretas aos EUA ou a Trump.
Essa abordagem foi evidente na nota emitida por Lula em 3 de janeiro, que classificou a intervenção como “inaceitável”, “afronta gravíssima” à soberania e “precedente perigoso”, mas sem mencionar nominalmente Trump ou Maduro.
A mesma orientação guiou a posição brasileira em declaração conjunta com México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha, divulgada em 4 de janeiro: “Expressamos nossa profunda preocupação e rechaço diante das ações militares executadas unilateralmente no território da Venezuela, as quais contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça do uso da força, o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas”.
O chanceler Mauro Vieira, que interrompeu férias para acompanhar a crise, participou de reunião da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) em 4 de janeiro, que não chegou a consenso sobre a operação americana, resultando em ausência de posicionamento unificado dos 33 membros.
Nesta segunda-feira, 5 de janeiro, está agendada sessão do Conselho de Segurança da ONU para discutir a intervenção dos EUA e a captura de Maduro. O Brasil participará como convidado, e sua fala será orientada pelos termos da nota presidencial, priorizando a defesa da soberania e do multilateralismo.
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