Em meio a uma grave crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli renunciou à condução dos processos relacionados às investigações sobre o Banco Master. A decisão ocorreu na noite de 12 de fevereiro de 2026, depois de uma reunião a portas fechadas com os dez ministros da Corte, convocada pelo presidente Edson Fachin.
O encontro, que durou aproximadamente três horas, começou de forma pesada, com relatos de “tensão geral” e “climão” entre os participantes, agravado pelo relatório da Polícia Federal (PF) que continha menções ao nome de Toffoli em mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira investigada. O documento da PF permanece sob sigilo.
De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, Toffoli inicialmente resistiu a deixar o caso, defendendo-se ponto a ponto e apresentando documentos para rebater as alegações. No entanto, ao perceber forte resistência da maioria dos colegas, ele cedeu e negociou os termos da saída: aceitou deixar a relatoria “a pedido”, preservando a validade de todos os atos já praticados por ele nos processos.
Em troca, os ministros rejeitaram qualquer arguição de suspeição e declararam, em nota conjunta, “não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição” e reconheceram “a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência”.
A nota oficial, assinada por todos os dez ministros, afirma ainda:
“Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR.”
E continua:
“Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.”
Após o término da reunião, Toffoli passou pelos jornalistas e, questionado sobre o clima do encontro, respondeu:
— Excelente. Tudo unânime.
O novo relator foi definido por sorteio: o ministro André Mendonça assumiu os processos. Cabe a ele agora decidir se mantém a investigação no STF ou toma outras medidas, além de enfrentar o desafio de reduzir o desgaste institucional causado pelo episódio.
A crise teve origem em revelações progressivas: Toffoli admitiu ser sócio da empresa Maridt, que vendeu participação no resort Tayayá (no interior do Paraná) a um fundo ligado ao cunhado de Vorcaro, o empresário Fabiano Zettel. Ele declarou que informou os valores à Receita Federal e negou ter recebido qualquer quantia diretamente de Vorcaro ou Zettel, classificando as menções como “ilações”.
Outros pontos de controvérsia incluem a viagem de Toffoli à final da Libertadores em jatinho com advogado ligado a um investigado, decisões polêmicas como o lacre de materiais apreendidos na Operação Compliance Zero e divergências com a PF em depoimentos e acareações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou com aliados que a permanência de Toffoli na relatoria se tornara insustentável após as revelações da PF, afirmando que ninguém nem ministros do STF nem familiares de autoridades está imune a investigações, e que a Corte precisava agir para se proteger da polêmica.
Apesar do alívio momentâneo com o acordo, ministros admitem que o episódio deixará “sequelas crescentes”, com maior divisão interna e desconfianças, remetendo o tribunal a um período de menor unidade, similar ao pré-pandemia.
A saída visa preservar a imagem institucional e evitar que o caso volte à estaca zero, mantendo a validade das decisões anteriores de Toffoli.
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