A empresa ligada ao pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) e seus parentes conquistou vantagens fiscais do governo de Minas Gerais enquanto ele ocupava o cargo de governador.
Informações tornadas públicas pela administração estadual mostram que a Eletrozema obteve R$ 2,28 milhões em créditos presumidos de ICMS durante o ano de 2025. A revelação faz parte de uma relação de companhias beneficiadas por regimes especiais de tributação.
Registros indicam que a firma, com capital social de R$ 536 milhões, tem como presidente Romero Zema, irmão do político. Ricardo Zema Neto, sobrinho de Romeu Zema, atua como diretor.
Em nota enviada à imprensa, o ex-governador explicou que o benefício concedido à empresa da família existe desde 2008, bem antes de ele ingressar na vida pública. Ele argumentou que as desonerações funcionam como instrumento para atrair investimentos e que, durante sua gestão no Palácio da Liberdade, os incentivos permaneceram disponíveis a qualquer grupo interessado em aportar recursos no estado.
Zema destacou ainda que todos os regimes especiais em vigor em Minas foram criados em governos anteriores e contam com aprovação do Confaz, órgão que reúne os secretários de Fazenda de todo o país. As renovações acontecem de forma periódica, desde que atendidos os requisitos exigidos.
Uma planilha oficial registra que a desoneração da Eletrozema remonta a junho de 2024, ainda no período em que Zema comandava o estado. Questionada sobre o exato significado dessa data, se referia à concessão inicial ou apenas à prorrogação, a Secretaria de Fazenda estadual informou tratar-se da continuidade de um tratamento tributário previsto em lei para o setor, desde que cumpridas as condições legais.
Enquanto esteve à frente do governo, Zema resistiu à divulgação dos nomes das empresas que recebiam renúncias fiscais. Na época, ele comparou o sigilo a uma forma de proteger segredo industrial e afirmou não ter criado novos incentivos, apenas mantido os já existentes. A lista só foi liberada agora, na gestão do sucessor Mateus Simões (PSD), que assumiu após a renúncia de Zema para disputar a Presidência e prometeu maior transparência.
Os regimes especiais representam renúncia de receita pelo estado para estimular empresas ou setores da economia. Eles são concedidos pela Secretaria de Fazenda mediante pedido dos interessados. Somente os benefícios dessa modalidade em 2025 totalizaram R$ 19,4 bilhões em renúncia fiscal. O montante projetado para todas as desonerações no ano chegou a R$ 22,7 bilhões, sem considerar outros impostos como o IPVA.
Romeu Zema defende publicamente o uso de incentivos como ferramenta de desenvolvimento econômico e sustenta que a medida fortalece a economia mineira ao atrair grandes investimentos. A Eletrozema, que atua no segmento de eletrodomésticos e eletrônicos, integra o portfólio familiar do político.
A divulgação dos beneficiários representa um contraste com a postura anterior de restrição às informações sobre renúncias fiscais. O assunto ganha importância no cenário das eleições de 2026, com Zema posicionado como um dos nomes da direita na corrida presidencial. Mateus Simões, por sua vez, deve concorrer à reeleição com o apoio do antecessor.
Essa situação reflete o debate contínuo sobre o equilíbrio entre a atração de investimentos e a necessidade de transparência no uso de recursos públicos por meio de benefícios tributários.
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