Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adiou deliberadamente qualquer gesto de trégua com a madrasta Michelle Bolsonaro para se proteger de pressões por nomeações políticas, especialmente candidaturas ao Senado. O senador pretendia “jogar parado” até a convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, quando deve ser lançado como candidato à Presidência.
Aliados relatam que, em conversas recentes, o grupo de Flávio avaliava que Michelle não teria alternativa senão aderir à sua campanha presidencial. Eles acreditavam que a ex-primeira-dama veria uma eventual vitória dele como a principal forma de ajudar Jair Bolsonaro a sair da prisão domiciliar e recuperar espaço político.
Durante visitas ao pai na residência onde cumpre medida cautelar, Flávio entrava e saía sem cumprimentar Michelle e evitava incluir a ex-primeira-dama nas discussões sobre o cenário eleitoral. O foco das conversas com Jair Bolsonaro girava em torno das listas de candidatos a governador e senador pelo PL, costuradas diretamente com o ex-presidente. Flávio buscava justamente blindar-se contra interferências da madrasta em indicações, como ocorreu no caso do Ceará.
Nos últimos dias, porém, o senador recebeu alertas de que a situação com Michelle poderia piorar de vez. Após incluir Damares Alves (Republicanos), aliada de Michelle, em sua campanha, ele decidiu ligar e enviar mensagem para a ex-primeira-dama na manhã de quarta-feira (24).
O movimento veio tarde. Michelle já havia gravado e divulgado o vídeo expondo as críticas ao enteado. Depois da exposição pública, Flávio repassou a aliados a mensagem enviada a ela, na qual pedia uma conversa. O impacto negativo sobre sua pré-candidatura, no entanto, já estava consumado.
O episódio reflete as tensões internas no clã Bolsonaro em pleno ano eleitoral, com o PL tentando organizar as candidaturas para 2026.
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