O Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado pela empresária Karina Gama — produtora do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória de Jair Bolsonaro —, subcontratou uma empresa associada a Alex Leandro Bispo dos Santos, de 40 anos, para executar parte do programa WiFi Livre da Prefeitura de São Paulo. Órgãos de inteligência policial identificam Santos, conhecido como Baianão, como figura de relevância dentro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A contratação integra o acordo de R$ 108 milhões firmado entre o ICB e a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., vinculada a Santos, foi responsável por instalar até 2 mil pontos de internet sem fio nas favelas das zonas sul e oeste. Em julho de 2025, a empresa recebeu R$ 2 milhões pelo serviço.
Santos possui condenações por roubo que somam 34 anos de pena e deixou a prisão em 2018. No final de 2025, retornou ao sistema penitenciário suspeito de feminicídio da namorada, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos. Relatórios policiais mencionam tatuagens como carpa, dragão e referências ao “escorpião do PCC”, além de áudios que sugerem hierarquia na organização. A defesa rejeita veementemente qualquer conexão com a facção e nega o crime de feminicídio.
O ICB justificou a escolha da Urban Connect (nome atual da empresa) por critérios técnicos, experiência em comunidades e documentação regular apresentada na época da contratação. “Não tínhamos qualquer conhecimento de antecedentes dessa natureza”, informou o instituto em nota. Após a meta do projeto ser reduzida, a subcontratada ficou encarregada de 908 pontos de instalação, manutenção e monitoramento.
A Prefeitura de São Paulo destacou que o contrato é exclusivamente com o ICB, cabendo ao instituto a responsabilidade sobre eventuais subcontratados. A gestão Nunes informou ainda que a empresa de Santos foi desligada do programa em dezembro de 2025 e classificou como “irresponsável” qualquer tentativa de associar diretamente o município ao crime organizado.
O caso traz novos questionamentos sobre a destinação de recursos públicos no WiFi Livre e sobre os negócios da produtora responsável pelo longa-metragem “Dark Horse”.
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