Em discurso proferido nesta quarta-feira (1º), o presidente Lula (PT) expressou gratidão à Bahia por contar com figuras políticas de longa data que considera essenciais em sua jornada. Ao lado do senador Jaques Wagner (PT-BA), que recentemente deixou a liderança do governo no Senado devido a apurações envolvendo o Banco Master, o mandatário ressaltou a diferença entre laços familiares e escolhas pessoais de amizade.
"Não se escolhe pais, mães ou irmãos de sangue, mas é possível selecionar os companheiros que caminham ao nosso lado", afirmou Lula, mencionando nomes como o ex-ministro Rui Costa (PT), o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o senador Otto Alencar (PSD-BA). Ele completou a ideia com a frase: "Nem todo irmão vira amigo, porém todo amigo se torna um irmão. Essas pessoas me ajudaram a construir o que sou hoje".
A declaração ocorreu na inauguração da nova ala do Hospital Estadual Litoral Norte, em Alagoinhas, onde também foram anunciados outros aportes na área da saúde. Trata-se da primeira aparição pública conjunta de Lula e Wagner desde o afastamento do senador do posto de líder governista, ocorrido há cerca de uma semana.
Wagner discursou brevemente na cerimônia, reforçando o apoio ao projeto do presidente e ao governo federal. "Seguimos firmes na defesa do seu nome e do seu plano. Este ano será de celebração da democracia", declarou. O senador voltou às atividades políticas na sexta-feira anterior, com agenda no oeste baiano, ocasião em que Jerônimo Rodrigues o defendeu publicamente.
Durante o mesmo evento, Otto Alencar dedicou parte de sua fala a Wagner, recordando a trajetória compartilhada desde o Tribunal de Contas. "Ele me tirou de lá e seguimos juntos até agora. Se fosse uma disputa ao Senado, eu pediria votos para você pelo seu merecimento", disse Alencar, destacando admiração e prevendo reconhecimento popular nas urnas de outubro.
O contexto envolve divisões internas no governo e no PT. Parte da base aliada apoiou o afastamento de Wagner para evitar impactos negativos na imagem presidencial decorrentes das investigações. Outros setores defendem o fortalecimento do senador para preservar a influência de Lula na Bahia, estado decisivo na eleição de 2022 ao proporcionar margem de cerca de 4 milhões de votos sobre Jair Bolsonaro (PL).
Após o ato em Alagoinhas, Lula cumpre mais duas agendas no estado. À tarde, visita as obras da ponte que conectará Salvador à Ilha de Itaparica, em Vera Cruz, estrutura com 12,4 km de extensão. À noite, em Salvador, participa com a ministra da Cultura, Margareth Menezes, da entrega da fase final do Novo Teatro Castro Alves.
O presidente não ficará na capital para o tradicional cortejo do 2 de Julho, que celebra a independência na Bahia ao marcar a expulsão dos portugueses em 1823. Recomendações médicas o orientaram a evitar o evento, após sessões de radioterapia para tratar um câncer de pele removido recentemente. Será a primeira ausência em quatro anos, já que Lula participou das edições de 2022 a 2025, inclusive desfilando em carro aberto diante de grande público.
O episódio reforça a estratégia de Lula de consolidar alianças regionais sólidas, especialmente em um estado chave para o projeto político petista, enquanto gerencia desafios internos e de imagem em ano eleitoral.
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