O PT e o PL ignoraram norma da Justiça Eleitoral que veda o impulsionamento pago de conteúdos negativos contra adversários e investiram pelo menos R$ 277 mil para ampliar o alcance de publicações com ataques a opositores. As postagens chegaram a mais de 39,1 milhões de impressões entre janeiro e o dia 24 de junho.
No caso do PL, o partido impulsionou mais críticas a Lula e ao PT do que propaganda da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Das 82 postagens patrocinadas no Facebook e Instagram, 34 (41%) focavam em ataques ao petista ou à legenda, associando-os, por exemplo, ao caso Banco Master.
O PT, por sua vez, veiculou 76 anúncios contra os Bolsonaros, o que representa quase 18% das 429 publicações impulsionadas neste ano. Os temas incluem a relação com Donald Trump e pressões contra o Brasil, além de críticas sobre combustíveis e o escândalo do Banco Master.
A legislação eleitoral proíbe explicitamente o uso de dinheiro para turbinar críticas durante a pré-campanha e campanha. É permitido publicar opiniões contrárias, mas não pagar para aumentar o alcance. O PT interrompeu os impulsionamentos negativos em abril, priorizando a imagem de Lula. O PL manteve anúncios até 21 de junho. Atualmente, nenhum dos dois paga para ampliar esse tipo de conteúdo.
Os gastos já resultaram em ações judiciais e decisões do TSE determinando a remoção de posts. O PT afirmou que as publicações foram baseadas em fatos e notícias, e que retirou do ar os conteúdos questionados. O PL não se manifestou. A Meta informou que segue a legislação vigente.
Especialistas em direito eleitoral alertam que a prática pode configurar abuso e gerar sanções, embora algumas advogadas defendam maior liberdade para críticas baseadas em fatos verdadeiros. O caso expõe tensões na pré-campanha presidencial, com os dois principais partidos recorrendo a estratégias digitais polêmicas.
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