Países europeus, com destaque para França e Alemanha, estão colaborando intensamente na elaboração de uma estratégia unificada para reagir caso Donald Trump avance com planos de anexar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. O tema ganha prioridade em reuniões diplomáticas, inclusive em uma cúpula em Paris nesta quarta-feira, 7, focada inicialmente na guerra na Ucrânia.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, confirmou que o assunto seria discutido com colegas da Alemanha e da Polônia. “Queremos agir, mas queremos fazer isso em conjunto com nossos parceiros europeus”, declarou ele à rádio France Inter.
Uma fonte do governo alemão informou à agência Reuters que Berlim atua “trabalhando em estreita colaboração com outros países europeus e com a Dinamarca nos próximos passos em relação à Groenlândia”.
Qualquer tentativa de anexação, especialmente com envolvimento militar, geraria sérias repercussões na Otan, aliança da qual fazem parte tanto os Estados Unidos quanto a Dinamarca, além de agravar tensões entre Trump e autoridades europeias.
Na terça-feira, 6, a Casa Branca reafirmou que opções para integrar a Groenlândia aos EUA estão em debate aberto, sem excluir o emprego das forças armadas se julgado essencial para a segurança nacional. As declarações ganham peso após ações recentes dos EUA, como a intervenção militar na Venezuela para capturar Nicolás Maduro.
A ideia não é nova: surgiu em 2019, no primeiro mandato de Trump, que considera a ilha ártica vital para a defesa americana e critica a Dinamarca por supostamente não protegê-la adequadamente. No entanto, Barrot indicou que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afastou a hipótese de invasão. “Eu mesmo conversei ontem por telefone com ele, que confirmou que essa não foi a abordagem adotada. Ele descartou a possibilidade de uma invasão (da Groenlândia)”, afirmou o chanceler francês.
Autoridades americanas admitem discutir alternativas, como uma compra do território, mas tanto o governo groenlandês quanto o dinamarquês rejeitam essa possibilidade, afirmando que a ilha não está à venda.
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lökke Rasmussen, e a representante groenlandesa Vivian Motzfeldt pediram uma reunião urgente com Rubio. “Gostaríamos de acrescentar algumas nuances à conversa. A gritaria precisa ser substituída por um diálogo mais sensato. Agora”, postou Rasmussen nas redes sociais.
Com apenas 57 mil habitantes, a Groenlândia é a maior ilha do mundo e possui posição estratégica entre Europa e América do Norte, essencial para o sistema de defesa antimíssil dos EUA e rotas marítimas comerciais. Sua abundância em minérios raros também atrai interesse americano, visando diminuir a dependência da China nesses recursos.
Trump alega riscos com navios russos e chineses na região, o que a Dinamarca contesta. “A imagem que está sendo criada de navios russos e chineses dentro do fiorde de Nuuk e de investimentos chineses maciços sendo feitos não é correta”, disse Rasmussen a jornalistas, citando dados de rastreamento que não indicam presença dessas embarcações.
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