Larissa Amorim Soares, baiana de Itambé (BA), morreu no dia 14 de maio de 2026 no Hospital Santa Marcelina, em Itaquera (zona leste de São Paulo). Ela tinha 33 anos, era mãe de dois filhos pequenos e lutava contra leucemia mieloide crônica.
Segundo a família e reportagens, Larissa aguardava uma imunoterapia (blinatumomabe) indicada pelos médicos como ponte para transplante de medula óssea. O medicamento já está incorporado ao SUS.
A Justiça determinou, em liminar, o fornecimento imediato do remédio. A União Federal foi intimada em 16 de março de 2026. Mesmo assim, o medicamento não chegou. Larissa esperou 59 dias.
Nesse período, os médicos repetiram um protocolo forte de quimioterapia. Ela contraiu infecção grave, precisou ser intubada na UTI e não resistiu.
O marido, Murillo Soares, afirmou que “a oncologia não espera. Cinquenta e nove dias, para quem tem câncer, é muito”.
O caso ganhou destaque na Bahia. A médica Dra. Raissa Soares publicou vídeos cobrando respostas. Em 13 de maio, a senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL) fez apelo no Senado pedindo urgência na liberação do medicamento.
Em 30 de maio, o portal G1 publicou reportagem detalhando a morte de Larissa e o descumprimento da decisão judicial. A Abrale (Associação Brasileira de Câncer do Sangue) protocolou denúncia na Procuradoria-Geral da República sobre falhas no acesso a remédios já aprovados pelo SUS.
Em 23 de junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no Hospital Santa Marcelina para entregar um equipamento de radioterapia. O evento foi divulgado como parte de programa de ampliação do tratamento oncológico no SUS.
O Ministério da Saúde foi procurado e não explicou o motivo do atraso no caso específico de Larissa. A pasta informou que está ampliando o acesso a medicamentos oncológicos a partir de outubro de 2026.
O caso de Larissa expõe dificuldades recorrentes no Brasil: mesmo com medicamento já aprovado e decisão judicial favorável, pacientes ainda enfrentam longas esperas para receber o tratamento.
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