Ex-diretora de presídio faz delação e revela esquema entre aliado de Jerônimo e facção criminosa

Joneuma Silva Neres detalha suposta articulação envolvendo Uldurico Júnior, pagamento de R$ 2 milhões e fuga de 16 detentos em Eunápolis; delação integra Operação Duas Rosas
Por: Brado Jornal 18.abr.2026 às 08h49
Ex-diretora de presídio faz delação e revela esquema entre aliado de Jerônimo e facção criminosa
Arquivo Pessoal
A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público da Bahia e prestou depoimentos detalhando um suposto esquema de corrupção e facilitação de fuga que envolveria o ex-deputado federal Uldurico Júnior, principal aliado do governador Jerônimo Rodrigues no Extremo Sul do estado, e lideranças do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE).

Segundo a delatora, Uldurico Júnior tinha forte influência dentro do sistema prisional, frequentando a unidade para reuniões com detentos, inclusive com o líder criminoso Ednaldo Pereira de Souza. A nomeação dela como diretora teria sido estratégica para facilitar os interesses do grupo.

A delação aponta que o esquema incluía a captação de votos entre presos provisórios, familiares e contatos externos, com pagamento de R$ 100 por voto, intermediado por membros da facção. Após a derrota de Uldurico nas eleições municipais de 2024 em Teixeira de Freitas, ele teria pressionado por recursos, resultando em um acordo de R$ 2 milhões com a facção em troca de facilitação para a fuga de detentos.

A fuga ocorreu em 12 de dezembro de 2024, quando 16 presos escaparam do Conjunto Penal de Eunápolis após a abertura de um buraco na estrutura da unidade. Após o episódio, trocas de mensagens entre Joneuma e Uldurico revelariam nervosismo e tentativas de alinhar versões dos fatos. A delatora ainda relatou ter sido ameaçada pelo ex-deputado para que não revelasse o esquema.

A colaboração de Joneuma Silva Neres faz parte da Operação Duas Rosas, que investiga organização criminosa, corrupção e facilitação de fuga em unidade prisional. Pelo acordo, ela terá pena total de seis anos, com apenas um ano em regime fechado e o restante em regimes mais brandos. Há possibilidade de inclusão em programa de proteção a testemunhas.

Fonte: Informe Baiano


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