Estado de Sergipe recorre ao STF para suspender o passaporte de vacinação instituído pelo Judiciário Estadual

A mesma Portaria também impede o ingresso dos não-vacinados nos recintos do judiciário sergipano, excetuando, unicamente, os presos, que podem ingressar mesmo sem se submeterem à vacina.
Por: Brado Jornal 26.nov.2021 às 12h34
Estado de Sergipe recorre ao STF para suspender o passaporte de vacinação instituído pelo Judiciário Estadual

Por meio de sua Procuradoria Geral, o Estado de Sergipe requereu, ao Supremo Tribunal Federal, a invalidação da Portaria nº 73/2021, editada pelo Presidente do Tribunal de Justiça do próprio Estado, que obriga a vacinação a seus servidores e Magistrados, sob pena de demissão. A mesma Portaria também impede o ingresso dos não-vacinados nos recintos do judiciário sergipano, excetuando, unicamente, os presos, que podem ingressar mesmo sem se submeterem à vacina.

A Procuradoria Geral do Estado de Sergipe alega que essa exigência desrespeita, frontalmente, as decisões proferidas pelo próprio Supremo Tribunal Federal no julgamento das ADIs 6.586 e 6.587, em que reconhecido o direito individual de não se submeter à vacina, a ser compatibilizado com o direito social à saúde, sem que um aniquile o outro: “A completa proibição de trabalho aos… magistrados, servidores, prestadores terceirizados e estagiários ofende o direito fundamental ao exercício de uma profissão, agride a integridade moral e gera profunda aflição dos recalcitrastes, coagindo-lhes de forma irresistível… e fraudando o seu consentimento, que deve ser expresso”, de acordo com o STF.

Ainda segundo a Procuradoria Geral, não há Lei ou, sequer, ato da autoridade sanitária sergipana estabelecendo essas medidas; não foram apresentadas evidências científicas que as justifiquem nem estabelecidas alternativas aos não-vacinados, transformando a vacina, que é um meio para atingir-se a prevenção, em um fim a ser alcançado irracionalmente, dissociada de seu objetivo. O Presidente do TJSE também teria desconsiderado que todas as vacinas comercializadas no Brasil, segundo a ANVISA, ainda estão em fase de testes, mesmo as com registro definitivo, fato que, por si, impede medidas compulsórias.

É o primeiro caso, registrado no país, de um ente da Federação que luta judicialmente pela liberdade de seus cidadãos. Tem-se visto, em número cada vez maior, Câmaras de Vereadores e Assembleias Legislativas impedindo restrições aos não-vacinados, em respeito a tratados internacionais e atentos às sequelas observadas em número não desprezível de pessoas.

A ação foi assinada pelos Procuradores José Paulo Veloso e André Meira e distribuída para a Ministra Carmem Lúcia. A expectativa é ver se, desta vez, o Supremo fará cumprir suas próprias decisões.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Grupo Mateus inaugura nova loja no Maranhão
Rede varejista, terceira maior do país, abre unidade em São José de Ribamar após reestruturação que envolveu fechamento de 28 estabelecimentos e corte de 6,6 mil empregos
Dois pilotos morrem em queda de avião durante teste em Marília
Aeronave de pequeno porte caiu em campo de futebol na cidade paulista, deixando um terceiro ocupante gravemente ferido
Baiano condenado por massacre em cinema vira escritor de true crime
Homem de Salvador, que cumpriu pena por atentado a tiros em cinema de São Paulo há mais de 25 anos, agora escreve livros sobre casos criminais e publica relato detalhado de sua própria história
Lula acusa Estados Unidos de usar dados falsos para justificar tarifas
Presidente brasileiro rebate proposta de Donald Trump e destaca redução no desmatamento da Amazônia como prova de compromisso ambiental
Carregando..