A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal pedido de abertura de inquérito para apurar suspeitas contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula.
A solicitação, protocolada na sexta-feira (24), foi distribuída na quarta-feira (29) ao ministro André Mendonça, que decidirá sobre a instauração do procedimento.
Os investigadores pretendem examinar possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência relacionados à autorização para comercialização de cannabis medicinal em programas vinculados ao Ministério da Saúde.
Lulinha atua no setor em parceria com a empresária Roberta Luchsinger e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do Inss. O pedido da corporação menciona contatos entre os investigados e servidores, inclusive do gabinete da Presidência. A suspeita é de que o tráfico de influência tenha ocorrido junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete presidencial.
Segundo a apuração, há indícios de que Lulinha e Roberta tenham atuado no mercado de canabidiol em favor da empresa World Cannabis, ligada a Careca do Inss.
Advogados dos três citados e o Palácio do Planalto foram procurados, mas não se manifestaram até o momento. Nos últimos meses, eles têm negado irregularidades na atuação com cannabis medicinal.
A defesa de Lulinha já afirmou que ele não participou de negociações, não investiu recursos e não recebeu convite para se associar ao projeto da World Cannabis. Em março, admitiu que despesas de uma viagem a Portugal em 2024 foram pagas por Careca do Inss.
Roberta Luchsinger declarou ter prestado consultoria ao lobista na área de canabidiol e o apresentado a Lulinha em contexto social, afirmando que o contrato não previa comercialização de substâncias.
Careca do Inss está preso desde setembro de 2025. Em depoimento à Cpi do Inss, afirmou ser empresário com prosperidade fruto de trabalho honesto.
O documento da Pf aponta pagamentos do lobista à Rl Consultoria, de Roberta Luchsinger. A investigação buscará verificar se houve repasses a agentes públicos.
Os investigadores pedem o compartilhamento de provas da Operação Sem Desconto, que apura desvios no Inss e tem Careca como um dos alvos. O pedido foi enviado durante o recesso do Judiciário e analisado por Alexandre de Moraes em plantão. A Procuradoria-Geral da República opinou pelo sorteio de novo relator, que recaiu sobre André Mendonça.
No final do ano passado, Lula afirmou que o filho deveria ser investigado caso houvesse envolvimento em irregularidades.
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