Um apartamento alugado em Lisboa foi o cenário inesperado para a localização de um passaporte pertencente a Eliza Samudio, a modelo assassinada em 2010 a mando do ex-goleiro Bruno Fernandes. O documento, emitido em 2006 e com carimbo único de entrada em Portugal datado de 5 de maio de 2007, foi achado no final de 2025 entre livros em uma estante de área compartilhada. Um brasileiro que mora no imóvel entregou o passaporte ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa no dia 2 de janeiro de 2026. Autoridades confirmaram sua autenticidade: trata-se do original, sem registro de segunda via, e ele será encaminhado ao Itamaraty para posterior devolução à família.
A descoberta gerou choque entre parentes e amigos próximos de Eliza. Uma pessoa que conviveu intensamente com ela declarou: "Eu me lembro dessa foto, Eliza estava bochechuda por causa da gravidez. Para mim, não faz sentido estar num documento de 2007". O único filho da modelo, Bruninho Samudio, nasceu em fevereiro de 2010. Já a mãe, Sônia Moura, manifestou "profunda dor e exaustão emocional" ao ser informada pela imprensa, preferindo silêncio enquanto aguarda esclarecimentos oficiais. A família reforça não haver dúvidas sobre a morte de Eliza e descarta qualquer hipótese de que ela esteja viva.
Fontes diplomáticas explicam que o passaporte apresenta apenas o carimbo de entrada porque Eliza retornou ao Brasil por meio de uma Autorização de Retorno ao Brasil (ARB), emitida por consulados em casos de perda ou extravio de documento. Isso permitiu sua saída de Portugal sem registro adicional.
O achado remete às viagens de Eliza à Europa, motivadas, segundo ela própria, por um breve envolvimento com o jogador Cristiano Ronaldo. Em entrevista ao EXTRA em 2009, pouco após anunciar a gravidez do filho de Bruno, a modelo descreveu o encontro: "Foram só uns beijinhos". Ela exibiu orgulho ao mostrar uma foto ao lado do então astro do Manchester United, tirada em maio de 2007, logo após chegar a Lisboa. "Ao contrário do que as pessoas dizem, ele é educado, simples e muito gente boa. A gente se fala por mensagem", afirmou na época.
Não foi uma visita isolada. Eliza voltou à Europa pelo menos mais duas vezes, entre 2008 e 2009, para acompanhar partidas de Ronaldo. Naquele período, o português vivia fase de destaque no clube inglês e era ligado a várias modelos, incluindo brasileiras como Karina Bacchi e Mirella Grisales. Eliza figurava nessa lista de supostos romances.
Ela rejeitava o rótulo de "Maria Chuteira", mas admitia atração por jogadores famosos. Em junho de 2010, pouco antes de sumir, questionou em entrevista ao jornalista Gilmar Ferreira: "Se a mulher vai atrás do jogador, até concordo. Mas se o cara é que 'vem' atrás, fica te ligando porque sabe que você já saiu com vários, é complicado, né?".
Eliza Samudio desapareceu aos 25 anos em meio a uma disputa judicial pela paternidade do filho com Bruno, então no Flamengo. Investigações concluíram que ela foi sequestrada, mantida em cativeiro e morta em Minas Gerais por ordem dele, com participação de cúmplices. O corpo jamais foi encontrado, apesar de provas como sangue dela no carro do goleiro. Em 2013, Bruno recebeu condenação de 22 anos e três meses por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. Ele obteve liberdade condicional em janeiro de 2023.
O caso, um dos mais marcantes da crônica policial brasileira, ganha novo capítulo com o passaporte. Autoridades aguardam orientações para investigar como o documento permaneceu intocado em Portugal por tanto tempo.
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