O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), enfrentou vaias intensas ao chegar à Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia, no bairro do Comércio, nesta quinta-feira (15), ponto de partida da tradicional Lavagem do Bonfim. Dezenas de manifestantes o receberam com gritos de “Queremos solução” e ergueram cartazes cobrando providências urgentes contra o crescimento da violência no estado.
Entre as mensagens exibidas no protesto, destacou-se o cartaz com a frase: “Governador, pare de nos matar. A bala perdida sempre encontra o corpo negro”. Os atos refletem a insatisfação popular com os índices de criminalidade, especialmente homicídios e letalidade policial, que colocam a Bahia no topo de rankings nacionais negativos.
De acordo com o Atlas da Violência, estudo anual produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e divulgado no ano passado, o estado registrou 61.249 homicídios entre 2015 e 2023. Esse total supera em mais de 16 mil casos o segundo colocado, o Rio de Janeiro, que contabilizou 45.121 assassinatos no mesmo período.
A Bahia também ocupa a primeira posição no ranking de mortes decorrentes de intervenções policiais pelo segundo ano seguido. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado em 2024, apontou que, em 2023, 1.699 pessoas foram mortas por ações de agentes de segurança – seja em serviço ou fora dele. O número representa um aumento em relação a 2022, quando ocorreram 1.467 mortes desse tipo, uma diferença de 232 casos a mais.
A tendência de crescimento na letalidade policial no estado é observada desde 2021. Naquele ano, a Bahia ainda figurava atrás do Rio de Janeiro nesse indicador, mas ultrapassou o estado fluminense nas duas edições mais recentes do levantamento, consolidando-se como líder nacional.
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