O Tayayá Aqua Resort, empreendimento de luxo às margens da represa de Chavantes, no norte do Paraná, ganhou destaque em investigações por servir como elo entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso do Banco Master. O local também enfrenta questionamentos pela operação de máquinas eletrônicas de apostas e mesas de blackjack, jogos que geram debates sobre legalidade e possíveis conflitos de interesse.
Familiares de Toffoli, incluindo seus irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, além de primos e um advogado ligado à JBS, participaram da sociedade do resort entre 2021 e 2025. Em setembro de 2021, fundos administrados pela Reag Investimentos (Arleen e Leal) adquiriram parte da participação dos irmãos do ministro por R$ 6,6 milhões. Esses fundos tiveram como cotista principal o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que investiu cerca de R$ 20 milhões no empreendimento. Zettel foi preso recentemente ao tentar embarcar para Dubai, mas liberado horas depois, com Toffoli determinando a apreensão de seu passaporte.
O controle societário mudou ao longo dos anos: em 2025, as cotas foram vendidas a um advogado que atuou para a JBS, Paulo Humberto Barbosa. Apesar de não constar oficialmente como proprietário, Toffoli é tratado internamente por funcionários como o “dono” do resort, segundo relatos de ex-colaboradores e hóspedes frequentes. O ministro e familiares continuam frequentando o local.
Além das conexões financeiras, o resort abriga um espaço com máquinas de vídeo loteria (permitidas por lei estadual após decisão do STF, na qual Toffoli votou favoravelmente) e mesas de blackjack, modalidade proibida pela legislação federal. Apostas ocorrem em dinheiro, o que levanta suspeitas de operação irregular de jogos de azar. Funcionários relatam que o espaço atrai hóspedes para jogatina, mas a defesa do atual proprietário afirma que os jogos são permitidos e não há incentivo à prática.
O caso ganha relevância porque Toffoli é o relator no STF da investigação sobre supostas fraudes no Banco Master (Operação Compliance Zero), prorrogada por mais 60 dias. Ele autorizou depoimentos de investigados para os dias 26 e 27 de janeiro, com acesso das defesas aos autos. Críticos, incluindo senadores como Eduardo Girão (Novo-CE), questionam possível conflito de interesse e pedem suspeição do ministro à Procuradoria-Geral da República (PGR). Toffoli nega impedimento e afirma que as ligações não comprometem sua imparcialidade.
O resort, conhecido localmente como “resort do Toffoli”, também foi alvo de reportagem sobre transferência de cotas para offshore em paraíso fiscal. A Polícia Federal investiga o conglomerado do Banco Master por fraudes bilionárias, incluindo uso de fundos para ocultar prejuízos. O tema repercute em veículos de imprensa e redes sociais, com debates sobre transparência, legalidade de jogos e imparcialidade judicial. Até o momento, não há pronunciamento oficial do STF ou de Toffoli sobre as novas revelações.
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