Com formação acadêmica que inclui dois diplomas de graduação, mestrado, doutorado e um mestrado europeu como bolsista Erasmus Mundus, ele construiu uma carreira que desafia classificações convencionais: é ao mesmo tempo acadêmico, servidor público, autor e comunicador de massas.
- Da academia à Polícia Técnica
A trajetória de Amoedo começa com números que chamam atenção. Formado em Engenharia de Produção Civil pela UNEB, obteve o 1º lugar nacional no ENADE 2006, o exame que avalia a qualidade dos cursos superiores no Brasil. Paralelamente, concluiu Direito pela UFBA por aproveitamento extraordinário, seguido de especialização em Direito Empresarial com nota máxima e mestrado em Direito Privado e Econômico, no qual sua dissertação recebeu nota 10 com distinção.
- O percurso internacional veio com o European Master in Law and Economics (EMLE), programa conjunto de universidades europeias no qual Amoedo conquistou o 1º lugar mundial na seleção para bolsas Erasmus Mundus na categoria A. O doutorado em Administração com foco em Finanças Estratégicas, cursado na Universidade Presbiteriana Mackenzie, completou uma formação que poucos comunicadores digitais podem apresentar.
Antes de se tornar figura pública, Amoedo construiu carreira como professor universitário, aprovado em 1º lugar em concursos para a UFBA e a UFT, onde lecionou Direito Mercantil, Financeiro e Econômico. Desde 2007, atua como Perito Criminal do Departamento de Polícia Técnica da Bahia, experiência que, segundo ele, moldou sua visão analítica sobre sistemas de poder e controle.
- O encontro com o Bitcoin
O interesse pelo Bitcoin surgiu em 2015, anos antes da febre especulativa que tomaria o país. Em 2018, Amoedo publicou, em coautoria, o livro “Bitcoin Red Pill: o Renascimento Moral, Material e Tecnológico”, obra que se tornaria referência para uma geração de investidores brasileiros interessados em entender a criptomoeda além das cotações.
O livro não propõe Bitcoin como aposta financeira. Apresenta-o como tecnologia de resistência: uma ferramenta de proteção patrimonial contra políticas monetárias expansionistas e instabilidade institucional. A tese ressoou especialmente após 2022, quando previsões feitas por Amoedo sobre o cenário político brasileiro começaram a se confirmar, ampliando sua credibilidade entre leitores que revisitaram a obra.
Dos livros aos milhões de espectadores
A projeção nacional veio pelos podcasts. Participações no Fala Glauber ultrapassaram 1,2 milhão de visualizações em um único episódio de mais de sete horas. No Inteligência Ltda., atingiu 1,7 milhão de views. No Irmãos Dias Podcast, superou 1,2 milhão. As aparições no programa O Pânico, da Jovem Pan, alcançaram picos de 80 mil espectadores simultâneos. Somadas, suas participações em grandes plataformas acumulam mais de 8 milhões de visualizações.
O formato longo favorece seu estilo. Enquanto a maioria dos influenciadores financeiros opera em cortes de segundos, Amoedo sustenta audiências por horas com explicações técnicas sobre proof-of-work, halving, Lightning Network e autocustódia. A capacidade de manter milhares de espectadores simultâneos após cinco horas de transmissão, como ocorreu no Fala Glauber, é um fenômeno raro na mídia digital brasileira.
- Validação por pares
Em 2024, Hindemburg Melão Jr., recordista mundial do Guinness Book em xadrez às cegas, fundador da Sigma Society e uma das pessoas com QI mais alto já registrado no Brasil, avaliou publicamente a capacidade intelectual de Amoedo. Segundo Melão, Trezoitão possui QI superior a 164, o que o qualifica para sociedades de alto QI que aceitam apenas o 0,003% mais inteligente da população mundial.
A validação, registrada em vídeo que ultrapassou 600 mil visualizações, adicionou uma camada incomum de credencial a um comunicador digital: reconhecimento formal de capacidade cognitiva por um especialista em psicometria.
Educação em escala
Além das aparições em mídia, Amoedo estruturou programas educacionais próprios. O curso “Bitcoin Black Pill” formou mais de 30 mil alunos desde 2024. O programa presencial “Missão Bitcoin”, anteriormente chamado “Bitcoin ou Nada”, reúne participantes de toda a América Latina para workshops imersivos de dois a três dias sobre autocustódia, segurança digital e fundamentos econômicos.
O modelo tem atraído parcerias comerciais. A BIPA, maior plataforma brasileira focada exclusivamente em Bitcoin, com mais de 300 mil usuários e R$4 bilhões em volume transacionado, patrocinou o Bitcoin Black Pill como parte de sua estratégia de educação para clientes de alto patrimônio.
- O discurso
Amoedo não se apresenta como consultor de investimentos. Sua mensagem central é sobre soberania individual. O Bitcoin, em sua visão, representa a possibilidade de o indivíduo manter patrimônio fora do alcance de governos, bancos centrais e crises institucionais.
O discurso encontra ressonância em um país com histórico de confisco de poupança, hiperinflação e instabilidade política. Para seus quase 900 mil seguidores no Instagram e 120 mil no X, Amoedo oferece não apenas educação técnica, mas uma narrativa de autonomia que conecta criptografia, economia austríaca e resistência cultural.
Aos 44 anos, natural de Salvador, na Bahia, Renato Amoedo “Trezoitão” consolidou uma posição singular: é simultaneamente o educador de Bitcoin mais assistido do Brasil e um dos mais tecnicamente qualificados — uma combinação que, no universo frequentemente superficial das finanças digitais, permanece rara. Em janeiro, anunciou que deixaria o país, alegando que leis de caráter totalitário, segundo sua avaliação, tornaram inviável a continuidade de suas atividades em território nacional.
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