Falência decretada de hotel associado a Trump causa prejuízo bilionário a fundos de aposentados

Influenciador Paulo Figueiredo, condenado pela CVM por fraudes no empreendimento, vê a LSH Barra encerrar atividades definitivamente após sucessivas tentativas de recuperação judicial.
Por: Brado Jornal 04.jul.2026 às 20h41
Falência decretada de hotel associado a Trump causa prejuízo bilionário a fundos de aposentados
Reprodução
A Justiça do Rio de Janeiro decretou na última semana a falência da LSH Barra Empreendimentos Imobiliários, empresa responsável pelo projeto de um hotel da rede Trump na Barra da Tijuca que nunca foi concluído conforme o prometido. A decisão representa o fim de um investimento que já havia causado perdas significativas a institutos de previdência de servidores públicos, com rombo atualizado estimado em torno de R$ 400 milhões.

Entre 2014 e 2016, o Fundo de Investimentos em Participações (FIP) LSH captou recursos de dez regimes próprios de previdência (RPPS), incluindo aportes expressivos de Tocantins (R$ 35 milhões), Campos dos Goytacazes (R$ 40 milhões), Campinas (R$ 15 milhões) e do Serpros, fundo de pensão dos servidores da Serpro (R$ 56 milhões). Esses institutos adquiriram cotas do fundo que financiaria a construção do hotel.

De acordo com investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o projeto se sustentava em uma estrutura fraudulenta. A autarquia identificou tanto desvios diretos de recursos quanto uma transferência indevida de riqueza dos investidores para os sócios fundadores. Laudos de avaliação com premissas irreais inflaram artificialmente o valor do empreendimento, permitindo que os controladores vendessem suas participações por valores muito acima do real.

Paulo Figueiredo, que atuou como CEO e sócio desenvolvedor da companhia durante o período, foi apontado pela CVM como articulador do esquema. Segundo o relator João Accioly, cujo voto foi aprovado por unanimidade em dezembro de 2024, ele utilizou contratos fictícios com empresas como Polaris e Great Wall, das quais era sócio, para desviar recursos em benefício próprio e de sua família. Junto com Ricardo Rodrigues (conhecido como Ricardo Gordo) e Arthur Soares (o Rei Arthur), os sócios teriam se beneficiado de cerca de R$ 400 milhões em transferências indevidas.

A CVM aplicou multas pesadas: R$ 54 milhões e R$ 27 milhões a Figueiredo, e R$ 53 milhões a Ricardo Gordo, totalizando mais de R$ 135 milhões. Embora o Ministério Público Federal tenha denunciado os envolvidos por crimes como corrupção, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro na Operação Circus Maximus, o processo criminal contra Figueiredo foi trancado pelo TRF-1 em 2022.

O hotel abriu em 2016 com apenas parte dos quartos planejados e sem a marca Trump, que foi retirada pelo grupo americano por não atender aos padrões exigidos. A empresa entrou em recuperação judicial em 2019, mas o plano aprovado em assembleia de credores foi posteriormente rejeitado após impugnação judicial do voto de Figueiredo, que participou como credor trabalhista. Sem o imóvel, dado em garantia a financiadores, a companhia não tinha mais condições de se reestruturar, levando à falência definitiva.

Com a quebra, os fundos de previdência perdem qualquer chance de recuperar o capital investido, pois a empresa não possui mais patrimônio relevante. Figueiredo, que atualmente vive nos Estados Unidos e mantém parceria com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, não respondeu aos contatos para comentar o caso. Ricardo Rodrigues voltou a ser alvo de investigações da Polícia Federal por supostas novas fraudes envolvendo recursos de previdência.


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