O menor suspeito de estupro coletivo perguntou à vítima se a mãe dela a vê sem roupa

Polícia Civil indicia quatro jovens adultos por crime planejado em apartamento de Copacabana; todos seguem foragidos após mandados de prisão
Por: Brado Jornal 02.mar.2026 às 10h30
O menor suspeito de estupro coletivo perguntou à vítima se a mãe dela a vê sem roupa
Foto: Reprodução/ TV Globo
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga um grave caso de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos, ocorrido na noite de 31 de janeiro em um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana, na Zona Sul carioca.

De acordo com o inquérito concluído pela 12ª DP (Copacabana), quatro jovens maiores de idade foram indiciados por estupro com concurso de pessoas (estupro coletivo). São eles: Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos; Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, ambos de 19 anos.

Um adolescente de 17 anos, que teria atraído a vítima ao local, também é investigado, mas seu processo foi encaminhado à Vara da Infância e Juventude, preservando sua identidade.

O delegado responsável pela apuração, Ângelo Lajes, classificou o episódio como uma “emboscada planejada” e destacou que os envolvidos podem ser condenados a até quase 20 anos de prisão.

Mandados de prisão preventiva para os quatro adultos e de busca e apreensão para o menor foram expedidos, mas nenhum dos suspeitos foi localizado nos endereços indicados. As buscas continuam.

Relato da vítima e detalhes do crime

A jovem contou, em depoimento na delegacia acompanhada da avó, que foi convidada pelo adolescente um ex-colega de escola com quem manteve relacionamento entre 2023 e 2024 para ir ao apartamento de um amigo. Ele sugeriu que ela levasse uma amiga, mas, ao não conseguir, ela foi sozinha.

No elevador, o menor avisou sobre a presença de dois amigos e insinuou algo “diferente”, o que ela recusou. No local, ela foi levada a um quarto onde iniciou relação sexual consensual apenas com o adolescente. Em seguida, os outros três entraram, fizeram comentários e um começou a tocá-la sem permissão.

Apesar de ela concordar apenas com a permanência deles no quarto sem toques, os jovens a despiram, beijaram e apalparam à força. Ela relatou ser obrigada a sexo oral e penetração vaginal pelos quatro, além de sofrer tapas, socos e um chute na barriga. Tentou sair do quarto, mas foi impedida.

Ao deixar o prédio, enviou áudio ao irmão dizendo que acreditava ter sido estuprada, contou à avó e registrou ocorrência na polícia.

Um detalhe chocante: o menor perguntou à vítima se a mãe dela costuma vê-la sem roupa, supostamente preocupado com as marcas visíveis das agressões e o sangramento.

Provas da investigação

Câmeras de segurança do edifício registraram a chegada dos jovens, a entrada da adolescente com o menor, sua saída sozinha e o retorno do adolescente ao apartamento, onde fez gestos interpretados como de “comemoração”.

Prints de conversas no WhatsApp mostram o convite, a sugestão de levar amiga e a confirmação de que não haveria problema em ir sozinha, além da combinação do encontro.

O laudo de exame de corpo de delito confirmou lesões compatíveis com violência: infiltrado hemorrágico e escoriações na região genital, sangue no canal vaginal e equimoses nas costas e glúteos. Testes rápidos foram positivos, e materiais foram coletados para análise de DNA.

Posicionamento da defesa

A defesa de João Gabriel Xavier Bertho divulgou nota negando o crime:

"A defesa de João Gabriel Bertho nega com veemência a ocorrência de estupro. Duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feitos anteriormente. Há nos autos do processo, mensagens de texto, trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu.

A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo. No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender. Contesta ainda que a imagem da jovem ao fim do encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação".

As defesas dos demais indiciados ainda não se manifestaram publicamente sobre o caso.

Desdobramentos adicionais

O Colégio Pedro II iniciou o processo de desligamento dos quatro alunos indiciados. O clube Serrano FC afastou João Gabriel Xavier Bertho e suspendeu seu contrato como jogador.Há relatos informais, via redes sociais, de possíveis outras vítimas do mesmo grupo, o que pode levar a novos desdobramentos na investigação.


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