Um grave caso de estupro coletivo contra duas crianças, de 7 e 10 anos, na zona leste da capital paulista, foi revelado somente após a irmã de uma das vítimas reconhecer o irmão em um vídeo que circulava pelas redes sociais. O crime ocorreu no dia 21 de abril, em São Miguel Paulista, mas a denúncia só chegou à Polícia Civil três dias depois, por meio da jovem que não residia mais com a família.
A delegada Janaina da Silva Dziadowczyk, titular do 63º Distrito Policial, em Vila Jacuí, conduz a investigação. Segundo ela, a denunciante assistiu ao material gravado pelos próprios agressores e imediatamente procurou a delegacia para registrar o boletim de ocorrência. A Polícia Civil teve acesso às imagens, mas optou por não divulgá-las devido à extrema violência contra as crianças, que inclui cenas de deboche por parte dos abusadores e agressões físicas, como tapas na cabeça.
No início das apurações, as autoridades enfrentaram obstáculos, pois a irmã não possuía detalhes precisos sobre o local ou as circunstâncias exatas do abuso. As famílias das vítimas também relataram forte pressão da própria comunidade local, que insistia em resolver o caso internamente, sem acionar a polícia. Com medo de repercussão e ameaças, os parentes chegaram a deixar suas residências apenas com a roupa do corpo. Apesar dessas dificuldades, os investigadores colheram todos os depoimentos necessários em apenas três dias.
Até o momento, quatro suspeitos foram detidos: três adolescentes e o adulto Alessandro Martins dos Santos. Um quinto envolvido, um menor de idade, permanece foragido. O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, informou que equipes policiais negociam com a família do adolescente foragido para que ele se apresente voluntariamente às autoridades. A delegada Janaina reforçou que essa seria a melhor decisão para o jovem neste momento.
Dos três adolescentes apreendidos, dois foram conduzidos pelos responsáveis ao 63º DP na quinta-feira (30 de abril). O terceiro foi capturado em Jundiaí, no interior paulista. O único maior de idade envolvido foi preso na Bahia e deve ser transferido para São Paulo nesta segunda-feira (4 de maio). Todos os detidos confessaram participação no crime.
A investigação aponta que os abusadores conheciam as vítimas e as atraíram para o local sob o pretexto de soltar pipa. O adulto filmou os atos e compartilhou o conteúdo via WhatsApp, o que permitiu a rápida disseminação nas redes sociais. A polícia agora busca identificar e responsabilizar todas as pessoas que repassaram os vídeos, alertando que mesmo quem divulga com intenção de repúdio pode responder por expor as imagens das crianças.
Além disso, autoridades investigam indivíduos que ameaçaram ou intimidaram as famílias, o que contribuiu para o atraso na denúncia. O caso gerou grande comoção na cidade e reforça a necessidade de proteção às vítimas e punição rigorosa aos responsáveis.
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